Wagner Moura em múltiplos papéis: desempenho duplo aumenta chances no Oscar?
Wagner Moura: múltiplos papéis aumentam chances no Oscar?

Wagner Moura brilha em múltiplos papéis: desempenho duplo aumenta chances no Oscar?

Wagner Moura, estrela do filme O Agente Secreto, e Michael B. Jordan, de Pecadores, estão entre os indicados ao Oscar de melhor ator deste ano. Enquanto Michael interpreta gêmeos no longa americano, Wagner surpreende ao aparecer como Armando e outro personagem, com trejeitos bem diferentes. Mas como isso é avaliado em premiações? Será que os atores saem na frente da concorrência por fazer mais de um papel? E poderiam ter sido indicados também pelo segundo personagem, por exemplo? Investigamos as regras do Oscar, entramos em contato com a Academia e analisamos o histórico de indicados para entender: fazer mais de um papel em um filme é uma vantagem na premiação?

O que dizem as regras do Oscar sobre múltiplos papéis?

Como existe a separação entre protagonista e coadjuvante, as próprias categorias são confusas nesse sentido. Dá para interpretar que o prêmio seria dado por papel, não por ator; mas não é bem o caso. Segundo as regras do Oscar, quando um ator é indicado, ele é considerado por toda a sua performance em um filme — independentemente de quantos papéis ele interpreta. Isso significa também que não existe indicação separada para cada papel.

No formulário de inscrição, aliás, só são solicitados o nome do ator e por quais interpretações ele está creditado no filme. É no momento da votação, não na inscrição, que a Academia decide se o papel entra como protagonista ou coadjuvante. Um ator pode ser indicado várias vezes no mesmo ano? Sendo assim, um mesmo ator não pode concorrer a duas categorias diferentes por um mesmo filme, mesmo que faça mais de um personagem.

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Histórico de indicações e casos raros

Essa regra foi implantada no Oscar após 1945, quando o ator Barry Fitzgerald foi indicado como protagonista e coadjuvante pelo mesmo papel em O Bom Pastor. Ele levou o segundo. Hoje, um ator só pode ser indicado duas vezes em um mesmo ano por filmes diferentes e categorias diferentes. Por exemplo: Timothée Chalamet não poderia concorrer como Melhor Ator em 2025 por Um Completo Desconhecido e Duna: Parte 2.

Mas alguns atores já foram indicados a protagonista e coadjuvante em uma mesma edição do Oscar: alguns exemplos são Jamie Foxx, Julianne Moore e Scarlett Johansson. Wagner e Michael se juntam aos casos mais raros de atores que fizeram múltiplos papéis em um filme e foram indicados por isso. Um exemplo conhecido é o de Nicolas Cage, que foi indicado a Melhor Ator por interpretar os gêmeos Charlie e Donald Kaufman em Adaptação (2002).

Múltiplos papéis aumentam as chances de vitória?

Fazer mais papéis em um filme não te dá mais chances de levar o prêmio. Nicolas Cage, por exemplo, perdeu para Adrien Brody (O Pianista) naquele ano. Aliás, o único ator que venceu o prêmio por interpretar mais de um personagem foi Lee Marvin, que levou o Oscar por Dívidas de Sangue. Já entre as atrizes, não encontramos nenhuma que foi sequer indicada por fazer papéis duplos em um filme.

É má notícia para Wagner, então? Claro que não. Para ele, pode ser um diferencial: o ator ainda não é tão amplamente conhecido em Hollywood e pode convencer votantes ao mostrar dois personagens em um só filme. Afinal, o contraste prova que, além de convincente no papel de Marcelo, o ator é bom porque é versátil pra caramba. A gente fica na torcida.

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