A Jornada Escaldante de 'Sirât': O Peculiar Concorrente ao Oscar em Busca da Fé no Deserto
Sirât: Jornada no Deserto Concorre ao Oscar com Metáforas e Raver

A Jornada Escaldante de 'Sirât': O Mais Peculiar Concorrente ao Oscar

Um pai em busca da filha desaparecida adentra o universo das raves no deserto marroquino, em uma trama apocalíptica movida por metáforas existenciais e música eletrônica. Sirât, filme espanhol-francês de 2025, estreia nos cinemas nesta quinta-feira, 26, trazendo uma experiência sensorial intensa que questiona os limites da fé e da sobrevivência em condições extremas.

Uma Ponte Perigosa entre Inferno e Paraíso

O título Sirât refere-se a uma ponte na tradição árabe que conecta o Inferno ao Paraíso, descrita como mais estreita que um fio de cabelo e mais afiada que uma espada. Essa metáfora guia a jornada do protagonista Luis, interpretado por Sergi López, e seu filho caçula, Esteban, vivido por Bruno Núñez. Eles partem da Espanha para o deserto marroquino em busca da filha mais velha de Luis, uma frequentadora de raves que sumiu há meses.

Além das intempéries das festas, com centenas de pessoas em ambientes empoeirados, a dupla enfrenta uma intervenção militar anunciada, rastros de conflitos antigos e minas terrestres explosivas enterradas pelo caminho. O filme cria um clima pré-apocalíptico onde conforto físico e esperança tornam-se artigos de luxo, acentuado pelas batidas da música eletrônica que amplificam o incômodo do cenário hostil.

Condições Extremas e Indicação ao Oscar

Indicado ao Oscar nas categorias de melhor som e filme internacional, concorrendo com o brasileiro O Agente Secreto, Sirât é favorito ao prêmio de som. O diretor galego Oliver Laxe, frequentador de raves, inspirou-se em experiências íntimas vivendo no Norte da África, incluindo a geografia árida e preceitos da fé islâmica.

As filmagens ocorreram no Saara entre maio e julho, sob condições extremas com temperaturas de 45 graus e tempestades de areia severas. A equipe enfrentou dificuldades para respirar e lentes de câmeras quebradas pela violência do vento. "Fomos até o limite", afirmou Laxe, destacando o realismo social e pré-apocalíptico do filme, que ele chama de "Mad Max Zero".

Discussões e Analogias desde Cannes

Desde sua estreia no Festival de Cannes em 2025, Sirât fomenta discussões que vão da apatia niilista à transcendência espiritual. Flertando com o sufismo, filosofia árabe de abnegação que inclui rituais de dança, Laxe vê na expressão corporal e na música tecno uma conexão com o divino. O elenco, formado majoritariamente por não-atores profissionais, incluindo ravers, contribui para a autenticidade da narrativa.

Recentemente, Laxe polemizou ao comentar sobre a competição com o filme brasileiro, mas pediu desculpas, reconhecendo que sua piada foi inadequada. O cineasta enfatiza que o filme se conecta à dor do mundo atual, oferecendo uma visão pessoal e peculiar onde o colapso evoca tanto o paraíso quanto o inferno.