André Hayato Saito: O Diretor de Amarela e a Identidade Nipo-Brasileira no Cinema
Diretor de Amarela Fala Sobre Identidade e Quase Oscar

André Hayato Saito: A Trajetória do Diretor de Amarela e a Busca por Pertencimento

André Hayato Saito, diretor do curta-metragem Amarela, compartilha sua jornada pessoal e profissional, destacando como sua obra aborda a complexa identidade nipo-brasileira. A produção, que explorou temas como não-pertencimento e xenofobia, brilhou em mais de 100 festivais internacionais e chegou à shortlist do Oscar, reforçando a potência do audiovisual nacional.

Origens e Influências Familiares

Nascido em São Paulo, Saito é sansei, terceira geração de imigrantes japoneses. Sua avó paterna veio de Gunma, no Japão, enquanto a materna nasceu no Brasil, mas sempre manteve a língua japonesa. Com uma família grande – avós com 11 e oito filhos –, seus pais batalharam como comerciantes, construindo a vida na Zona Norte da capital paulista, no Jardim Sônia, local onde Amarela se passa.

A vontade de criar histórias surgiu cedo, aos 11 anos, quando ganhou câmeras de tios dekasseguis. Embora criticado por filmar "nada", essa atividade, combinada com observar seu irmão jogar RPG, despertou sua paixão pelo cinema. Três décadas depois, aos 41 anos, Saito viu Amarela quase chegar ao Oscar, após entrar na shortlist da premiação.

Formação e Primeiros Passos no Cinema

Inicialmente, Saito prestou vestibular para Engenharia, seguindo a família, mas mudou para Comunicação Social com foco em Publicidade. No TCC, fez um curta-metragem amador com a participação de Dan Stulbach, momento que plantou a primeira semente do cinema em sua vida. Após isso, juntou dinheiro para estudar cinema na Argentina, acumulando experiências em produções como Quanto Dura o Amor e Trabalhar Cansa.

A Concepção de Amarela e a Trilogia

Amarela é parte de uma trilogia que inclui os documentários Kokoro to Kokoro e Vento Dourado. Enquanto os primeiros exploram histórias reais, Amarela é 100% ficção, nascida do sentimento de não-pertencimento como asiático-brasileiro. O curta segue Erika, uma adolescente interpretada por Melissa Uehara, que luta para se encaixar durante a Copa de 1998, enfrentando xenofobia e dilemas identitários.

A construção do cenário, liderada pela diretora de arte Luana Calamura, buscou autenticidade, resgatando memórias da infância de Saito no Jardim Sônia. Isso criou um ambiente realista, evocando o "cheiro de casa de bachan" e a bagunça característica.

Impacto e Reconhecimento Internacional

A trajetória de Amarela foi marcada por estreias em festivais renomados, como Cannes, e por percorrer mais de 35 países. A shortlist do Oscar representou um reconhecimento significativo, embora a indicação final não tenha se concretizado. Saito enfatiza a importância de falar sobre identidade, vendo isso como um processo de cura e representatividade para futuras gerações, incluindo seus dois filhos pequenos.

Desafios e Futuros Projetos

Saito destaca os desafios da indústria cinematográfica, como falta de recursos e alta competitividade, que exigem resiliência e paixão pelo ofício. Seu próximo projeto é o longa-metragem Crisântemo Amarelo, uma expansão de Amarela que abordará temas como luto e silêncio na cultura japonesa, ambientado na Copa de 2014.

Atualmente, Amarela está disponível no Globoplay e em sessões gratuitas do Circuito Spcine em São Paulo, continuando a promover discussões sobre diversidade e pertencimento no cinema brasileiro.