‘A Maldição da Múmia’ diverte com violência, mas se perde entre terror e drama familiar
‘A Maldição da Múmia’ mistura terror e drama familiar com sangue

‘A Maldição da Múmia’ diverte com sangue e tripas, mas se perde no sadismo

Para os espectadores desavisados, é crucial esclarecer desde o início: A Maldição da Múmia não possui Brendan Fraser, Rachel Weisz ou as majestosas pirâmides que marcaram o cinema B de Hollywood. Lançado pela Warner Bros., o longa chega aos cinemas de todo o Brasil nesta quinta-feira, 16 de abril de 2026, preservando apenas um toque de orientalismo ao apresentar uma nova versão da famosa criatura, tentando assim escapar da sombra dos filmes icônicos que já abordaram o tema.

No entanto, a figura enfaixada é tão desconstruída que perde sua razão de ser, resultando em um filme tão desconjuntado quanto a própria múmia. A trama segue Charlie, um jornalista correspondente internacional no Cairo, que vive em harmonia com sua esposa enfermeira e dois filhos pequenos. Tudo desmorona quando uma vizinha misteriosa sequestra a filha mais velha, Katie, interpretada por Emily Mitchell, deixando a família atormentada em uma busca por respostas que só chegam oito anos depois.

Drama familiar e possessão

Katie é encontrada dentro de um sarcófago milenar, subnutrida e incapaz de se comunicar. A família então a acolhe em seu lar nos Estados Unidos, uma espaçosa casa em Albuquerque, no árido Novo México. Longe do Oriente Médio, a história se transforma em uma típica narrativa de possessão, ecoando os cacoetes familiares de clássicos como O Exorcista e, especialmente, o último trabalho do diretor Lee Cronin antes deste filme, A Morte do Demônio: A Ascensão (2023).

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Assim como naquele projeto, Cronin exagera na estilização, com violência gráfica explícita e o uso irrestrito de lentes de dioptria dividida, uma técnica que lendas do cinema de gênero como Sam Raimi e Brian de Palma empregavam com maior ponderação. Essa abordagem brilha durante a segunda metade do filme, proporcionando espaço para um sadismo bem-humorado, mas perde força ao contradizer a sensibilidade exigida pelo drama familiar.

Conflito de gêneros

O filme enfrenta um dilema fundamental: quer falar com seriedade sobre temas como abuso infantil ou fazer o público gargalhar quando uma criança maníaca tortura seus entes de formas inimagináveis. Cronin parece mais interessado na segunda opção, mas desperdiça tempo tentando se encaixar nas expectativas do terror "de prestígio", à la Hereditário (2018) ou O Babadook (2014).

Essa mistura de referências gastas sabota qualquer lampejo de novidade, tornando a experiência cinematográfica confusa. Assim como um sarcófago empoeirado, A Maldição da Múmia poderia ser mais agradável com uma troca de ares, focando-se em um tom consistente em vez de oscilar entre o horror visceral e o drama psicológico.

Em resumo, o filme oferece entretenimento para fãs de violência gráfica e humor negro, mas falha em criar uma narrativa coesa, perdendo-se entre suas ambições conflitantes e deixando o público com a sensação de que poderia ter sido muito mais.

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