O ator George Clooney, de 64 anos, respondeu com ironia às críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a concessão da cidadania francesa a ele e sua família. O embate público começou quando Trump atacou a decisão do governo da França e desqualificou o casal como analistas políticos.
O ataque de Trump e a resposta irônica de Clooney
Em uma publicação na rede social Truth Social, no início de janeiro de 2026, o presidente norte-americano afirmou que a França podia "ficar" com George e Amal Clooney. Trump os chamou de "dois dos piores prognosticadores políticos de todos os tempos".
O mandatário também sugeriu que a concessão da cidadania estava relacionada a críticas à política migratória francesa e atacou a carreira do ator, dizendo que ele ganhou mais visibilidade com comentários políticos do que com seus filmes.
A resposta de Clooney veio em entrevista à revista Hollywood Reporter. Ao comentar as eleições legislativas de meio de mandato nos EUA, marcadas para novembro de 2026, o ator usou o próprio slogan de Trump contra ele: "Concordo totalmente com o presidente atual. Precisamos tornar os Estados Unidos grandes novamente. Vamos começar em novembro".
A polêmica da cidadania francesa e o debate interno
A naturalização da família Clooney ocorreu em janeiro de 2026, pouco antes da entrada em vigor de regras mais rígidas para obtenção da cidadania francesa, em 1º de janeiro. As novas normas passaram a exigir maior domínio do idioma e aprovação em testes de conhecimentos cívicos.
O caso gerou debate na França. Uma secretária de Estado do governo de Emmanuel Macron criticou um possível "duplo padrão", já que o próprio ator admite falar pouco francês. No entanto, o Ministério do Interior e o Itamaraty francês defenderam a decisão.
Segundo o governo francês, a legislação permite a naturalização de estrangeiros que contribuam de forma relevante para a influência internacional e o prestígio cultural do país. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores destacou que Clooney contribui para o setor audiovisual e a projeção cultural da França, enquanto Amal, advogada de direitos humanos, colabora frequentemente com instituições acadêmicas e organismos internacionais sediados no país.
Vida na França e contexto político
A família Clooney vive há anos no sul da França, onde mantém uma propriedade na região da Provença. Em entrevistas recentes, George elogiou as leis de privacidade do país, afirmando que elas oferecem maior proteção à família contra a exposição midiática e melhor qualidade de vida para os filhos, comparando com Los Angeles.
Amal Clooney, que possui cidadania britânica e libanesa, fala francês fluentemente. Dados do Ministério do Interior francês mostram que cerca de 48,8 mil pessoas adquiriram a nacionalidade por decreto em 2024.
Este não é um caso isolado. O cineasta americano Jim Jarmusch também anunciou recentemente sua intenção de se naturalizar francês, citando o desejo de ter uma alternativa fora dos Estados Unidos.
O episódio reforça o tom polarizado do debate político nos EUA e mostra como decisões pessoais de figuras públicas continuam sendo instrumentalizadas em disputas ideológicas, tanto dentro quanto fora do país. Clooney, crítico frequente de Trump e apoiador histórico do Partido Democrata, tem se manifestado publicamente sobre política americana nos últimos anos, atuando inclusive como arrecadador de fundos para campanhas democratas.