Filha de piscicultor transforma pele de tilápia em moda sustentável e biojoias
Pele de tilápia vira moda sustentável em iniciativa paulista

Filha de piscicultor transforma pele de tilápia em moda sustentável e biojoias

A pele de tilápia, antes descartada como resíduo, ganhou um destino nobre e inovador no interior de São Paulo. Katia Mastroto, moradora de Presidente Prudente, desenvolveu uma linha exclusiva de produtos que inclui sapatos, bolsas e biojoias, unindo estética, sustentabilidade e impacto socioambiental significativo.

Um legado familiar que se transforma em empreendimento

Aos 52 anos, Katia fundou a marca UnaPele Couros, inspirada pelo pai, Sérgio da Silva Mastroto, piscicultor que mantinha tanques de tilápia em Presidente Epitácio. Em 2016, ele faleceu devido a uma leucemia, mas deixou uma mensagem profunda à filha: "O peixe é seu, o peixe é o caminho". Essas palavras, ditas mesmo em seus últimos dias de vida, plantaram a semente para o que viria a se tornar uma iniciativa transformadora.

Inicialmente, Katia e seu irmão continuaram o negócio familiar, vendendo os filés de peixe e descartando as peles no aterro sanitário. A visão daquele material sendo desperdiçado, sob chuva e urubus, a incomodou profundamente. "Prometi que daria um destino digno àquele resíduo", relembra a empreendedora. A descoberta de um pedaço de couro produzido pelo pai entre seus pertences foi o estopim para visualizar concretamente o potencial da matéria-prima.

Do descarte ao luxo sustentável: o processo de criação

O desenvolvimento da técnica de curtimento da pele de tilápia demandou pesquisa intensa. Katia começou com tutoriais no YouTube, mas o ponto de virada ocorreu ao participar do curso "Nova Olhar", do Senar, onde conheceu sua sócia, Silvania Briganó. A pandemia atrasou os planos, mas proporcionou o tempo necessário para dominar o curtimento com tanino vegetal, garantindo um produto 100% sustentável e de excelência.

A marca UnaPele foi fundada oficialmente em abril de 2023, contando também com o engenheiro agrônomo Luiz Figueiredo como terceiro sócio. Hoje, reúne artesãos das regiões de Presidente Prudente e Bauru, movimentando a economia local e honrando o legado familiar. "Focamos no upcycling, comprando as peles de pequenos filetadores e frigoríficos, o que amplia nosso impacto ambiental positivo", explica Katia.

Impacto socioambiental e trabalho coletivo

Os sócios destacam a importância multidimensional da iniciativa. Luiz Carlos Figueiredo ressalta os aspectos econômico, ambiental e social: "Geração de emprego e renda, sustentabilidade e aproveitamento de recursos". Silvania Briganó complementa: "É transformar matéria-prima em valor, gerar empregos e construir uma história de crescimento e superação. Representa coragem, união e a certeza de que juntos podemos ir mais longe".

Os produtos da UnaPele, com preços entre R$ 150 e R$ 380, encantam pela textura única e pela narrativa de sustentabilidade. Katia participa de feiras nacionais, levando a história do peixe do Oeste Paulista para novos horizontes. "A UnaPele é um ecossistema de impacto social e ambiental. É a transformação de um resíduo descartado em luxo sustentável", define.

Ela finaliza com uma reflexão emocionante: "Hoje entendo o que meu pai quis dizer. O peixe não era apenas alimento; era o caminho para a minha realização pessoal e para ajudar o planeta". A iniciativa não apenas preserva a memória de Sérgio, mas também abre portas para a moda sustentável e a economia criativa, demonstrando que inovação e tradição podem caminhar juntas em prol de um futuro mais consciente.