Empreendedorismo feminino transforma Alto do Moura em polo de renda e cultura
Empreendedorismo feminino no Alto do Moura gera renda

O empreendedorismo feminino tem conquistado cada vez mais espaço no Alto do Moura, em Caruaru, no Agreste de Pernambuco. Neste bairro, mulheres artesãs transformam tradição, criatividade e identidade cultural em geração de renda e fortalecimento da economia local. Conhecido internacionalmente pela produção de arte figurativa em barro, o Alto do Moura reúne ateliês e pequenos negócios que mantêm viva a herança deixada por Mestre Vitalino.

Localizado a aproximadamente 7 km do centro de Caruaru, o Alto do Moura deixou de ser uma antiga área rural para se consolidar como um dos principais polos culturais e turísticos do estado. Além da importância histórica, o local se destaca pelo impacto econômico gerado pelos pequenos empreendimentos, muitos deles comandados por mulheres que encontraram no artesanato uma forma de autonomia financeira.

Legado familiar mantido por Edneide Vitalino

Na Casa Museu Mestre Vitalino, uma das referências do bairro, a artesã Edneide Vitalino mantém viva a tradição familiar. Filha de Severino Vitalino e neta de Mestre Vitalino, ela aprendeu desde cedo a trabalhar com o barro e hoje dá continuidade ao legado que atravessa gerações.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

“O meu trabalho com a arte começou na admiração do meu avô, o Mestre Vitalino. Aprendi com meus pais e comecei a fazer pecinhas pequenas e depois fui me inspirando nesses outros trabalhos que representam mais o meu avô. Isso pra mim foi um orgulho”, afirmou a artesã. A trajetória de Edneide reflete a forte relação entre o território e a produção artesanal do Alto do Moura. O valor das peças produzidas no bairro está diretamente ligado à história, à tradição e aos saberes transmitidos entre gerações, características que ajudam a tornar a arte em barro de Caruaru reconhecida dentro e fora do Brasil.

Protagonismo feminino e inovação

Outro exemplo do protagonismo feminino no bairro é o trabalho da artesã Sydartha Kyone, natural de Vitória de Santo Antão. No ateliê comandado por ela, o barro tradicional ganhou novas cores e interpretações inspiradas na cultura pernambucana. Sydartha conta que começou a atuar no artesanato em 2018 e encontrou no Alto do Moura o ambiente ideal para desenvolver o próprio negócio.

Segundo ela, o acolhimento dos artesãos da comunidade foi essencial para o crescimento profissional. “Eu tô vivendo a minha melhor fase no artesanato pelo acolhimento que eu tive de todos os artesãos aqui e eles são meus fornecedores porque eu não dou conta de fazer todas as peças no barro, eu só dou conta de pintar”, disse.

Impacto econômico dos pequenos negócios

A força dos pequenos negócios também acompanha um cenário nacional. Os microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte representam cerca de 95% das empresas formais do país. O segmento responde por aproximadamente um quinto do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e pela maior parte dos empregos formais gerados em 2025. Na economia criativa, o impacto vai além da renda. O artesanato contribui para manter famílias em seus territórios, fortalece a cultura popular e amplia a independência financeira das mulheres que atuam no setor.

Legado de Mestre Vitalino

Mais de seis décadas após a morte de Mestre Vitalino, o legado do artista segue presente no cotidiano do Alto do Moura. As ruas do bairro, os ateliês e os museus preservam a tradição iniciada pelo mestre e reforçam o papel do artesanato como patrimônio cultural e atividade econômica essencial para centenas de famílias. Passear pelo Alto do Moura é encontrar histórias que nascem da herança familiar, da inspiração artística e da força cultural do barro. Histórias moldadas por homens e mulheres que ajudaram a construir o passado e seguem desenhando o futuro da arte figurativa em Caruaru.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar