Colecionador de Birigui preserva acervo de quase 2 mil cartões de orelhão com peças internacionais
Um aposentado de Birigui, no interior de São Paulo, transformou uma curiosidade em um hábito que resultou em uma coleção impressionante de cartões telefônicos. João Careno, de 60 anos, guarda em casa um acervo que ultrapassa a marca de 1,8 mil unidades, incluindo exemplares raros vindos de países como Japão e Estados Unidos.
Nostalgia despertada pelo fim dos orelhões
A notícia sobre a retirada definitiva dos últimos telefones públicos das ruas brasileiras trouxe à tona sentimentos nostálgicos para João. "Fiquei triste. Era uma época boa", lamenta o colecionador, que vê no anúncio o encerramento de uma era memorável na comunicação do país.
Como começou a paixão pela coleção
Tudo começou quase por acaso em 1993, quando João abriu uma pequena mercearia e, pouco tempo depois, um orelhão foi instalado em frente ao seu comércio. O que inicialmente era apenas curiosidade rapidamente se transformou em um hábito enraizado.
"Sempre que passava por um telefone público, eu parava para observar. Muitas vezes, encontrava cartões esquecidos e os guardava", relembra o aposentado. "As pessoas deixavam lá quando iam para telefonar. Aí, eu comecei a guardar os cartões, fui achando uns bonitos, diferentes um do outro".
Crescimento e alcance internacional da coleção
A paixão familiar contagiou até seu filho, que na época trocava cartões com colegas na escola. Com o passar dos anos, a coleção ganhou dimensões internacionais quando o filho, hoje com 34 anos, começou a pedir para amigos adquirirem exemplares durante viagens ao exterior.
O resultado é um acervo diversificado que inclui peças raras do Japão e Estados Unidos, além de centenas de cartões brasileiros que contam a história das telecomunicações no país.
Contexto do fim dos orelhões no Brasil
Criados para democratizar o acesso à comunicação, os orelhões se espalharam pelas cidades brasileiras durante décadas. No entanto, com o avanço da telefonia móvel e a popularização dos celulares, esses equipamentos estão desaparecendo das ruas.
No início de janeiro de 2026, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) iniciou a retirada definitiva dos telefones públicos em todo o território nacional. A medida ocorre após o encerramento das concessões do serviço de telefonia fixa, que vinha registrando uso cada vez menor pela população.
Situação na região noroeste paulista
De acordo com dados da Anatel, nas principais cidades do noroeste paulista ainda existiam, até recentemente, 787 orelhões ativos. A maior concentração estava em São José do Rio Preto, com 377 aparelhos, seguida por Araçatuba, com 114 unidades.
A retirada será realizada de forma gradual e segue uma tendência observada em todo o país, impulsionada pela queda acentuada no uso do serviço público de telefonia. Com o fim dos contratos, empresas como Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefônica deixam de ter a obrigação legal de manter essa infraestrutura.
Valor histórico e emocional da coleção
Para João Careno, cada cartão guardado representa mais do que um simples objeto de coleção. São lembranças tangíveis de um tempo em que o telefone público fazia parte integrante da rotina dos brasileiros, servindo como ponto de encontro, local para recados urgentes e testemunha de histórias cotidianas.
O acervo de aproximadamente 1,8 mil cartões telefônicos preserva não apenas a memória dos orelhões, mas também a evolução do design, das tecnologias de comunicação e dos hábitos sociais de diferentes épocas e lugares.