O documentário “Zico, o Samurai de Quintino” já está em exibição nos cinemas brasileiros, apresentando a trajetória de um dos maiores ícones do futebol nacional. A produção começa exatamente onde tudo começou: no subúrbio carioca. Em uma entrevista ao RJ1, Arthur Antunes Coimbra, conhecido mundialmente como Zico, retornou ao bairro de Quintino, onde nasceu, e compartilhou memórias que moldaram sua carreira dentro e fora dos gramados.
Reencontro com as raízes
Acompanhado pela apresentadora Mariana Gross, o ex-camisa 10 percorreu as ruas que marcaram sua infância e adolescência. Logo no início do trajeto, ele apontou para o coreto do bairro, local onde celebrou, ainda jovem, o título da Copa do Mundo de 1970. “Nós tínhamos o bloco Juventude de Quintino. A gente acabava o jogo, Brasil ganhou, a gente dava volta por aqui. Foram seis voltas, porque o Brasil foi campeão”, recordou.
Desafios e superação
Foi também em Quintino que Zico enfrentou os primeiros obstáculos. Ainda franzino, precisou interromper os treinos por meses para ganhar massa muscular e continuar no futebol. A rotina era desgastante: o trajeto entre sua casa e o Flamengo podia levar até oito horas por dia. “Eu saía daqui de trem, ia até a Central, depois pegava ônibus pela orla. Treinava de manhã, estudava à tarde e voltava para treinar de novo. Chegava em casa 11 da noite”, relembrou.
Emoção ao ver a própria história
As dificuldades iniciais, segundo ele, ajudam a explicar a emoção ao assistir à própria história nas telas. O documentário reúne imagens inéditas e arquivos pessoais do jogador, muitos guardados pela família ao longo das décadas. “Eu só abri as portas da minha casa e entreguei esse acervo. Quando você vê, lembra de tudo que passou para chegar até ali”, disse.
Casa preservada pela família
O passeio seguiu até a casa onde Zico nasceu, que permanece preservada pela família. Recebido pelos irmãos, ele mostrou o local onde viveu os primeiros anos e onde guarda parte dos troféus da época de solteiro. Entre lembranças, destacou o papel dos pais na formação do caráter que sempre tentou manter. “Você vem aqui e só recorda coisa boa. Foi uma casa feliz”, afirmou.
O bebê com 'algo diferente'
Um dos irmãos, Eduardo Antunes Coimbra, lembrou que, ainda bebê, Zico já despertava atenção. Segundo Edu, a irmã Maria José Antunes Coimbra, a Zezé, foi a primeira a pegá-lo no colo e disse que havia “algo diferente” naquele menino — impressão que ganharia novo significado com a trajetória do Galinho.
Dimensão internacional
O documentário também aborda a carreira internacional, especialmente a passagem pelo Japão, onde Zico se tornou ídolo e ajudou a desenvolver o futebol local. Por lá, ganhou o apelido de “Kami-sama”, que pode ser traduzido como “deus do futebol”. “Eu sempre explico que Deus é outra coisa, mas no futebol eu aceito”, brincou.
Legado de lições
Mais do que gols e títulos, o filme aposta na história de vida e nas lições que carrega. Para Zico, esse é um dos principais legados da produção. “Não é só ver o jogador. É entender o que você precisa fazer para chegar lá: renúncia, superação, dedicação”, disse. Durante a entrevista, o ídolo foi reconhecido por moradores do bairro, que interromperam o passeio para relembrar lances e gritar seu nome.
O documentário “Zico, o Samurai de Quintino” estreou na última semana e está em cartaz nos cinemas de todo o país. Na primeira semana de exibição, torcedores que forem assistir ao filme vestindo a camisa do Flamengo pagam meia-entrada.



