Trapseiro: Forró com postura de rapper renova gênero nordestino
Trapseiro: Forró com postura de rapper renova Nordeste

O forró, tradicionalmente conhecido como a dança do trabalhador nordestino, ganha uma nova roupagem com o trapseiro. Essa vertente, que funde o gênero com o hip hop, surgiu por volta de 2020 como uma experimentação e hoje é uma cena consolidada, com artistas que vão do pop ao alternativo. Nomes como Felipe Amorim, Henry Freitas e Kadu Martins representam o lado mais comercial, enquanto Dupê e Mago de Tarso apostam em uma estética mais underground.

O que é o trapseiro?

O trapseiro é uma fusão do forró com o trap, gênero derivado do hip hop. Ele incorpora elementos como autotune e sintetizadores, mas mantém instrumentos tradicionais como pífanos, rabecas e zabumbas. A estética também é marcante, misturando a ostentação urbana do hip hop com o imaginário rural nordestino.

Dupê: 'Forró com postura de rapper'

O cantor baiano Dupê, de 29 anos, é um dos expoentes do trapseiro. Ele define seu som como 'forró com postura de rapper' e busca quebrar estereótipos sobre o Nordeste. Em seus clipes, balaclavas e correntes de prata dividem espaço com chapéus de couro. Dupê também criou o conceito de 'Cybercangaço', que mistura forró, rock e cultura geek.

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Mago de Tarso: o 'caranguejo do trap'

Natural de Recife, Mago de Tarso é outro nome importante. Ele trocou o Nordeste pelo Rio de Janeiro para expandir sua carreira. Em seu álbum 'O Som do Litoral' (2024), ele mescla referências regionais com trap, como na faixa 'Carolina', que sampleia Luiz Gonzaga. A música 'Caranguejo do Trap' se tornou sua marca registrada.

O lado comercial e o 'popseiro'

Felipe Amorim, do Ceará, é um dos pioneiros da mistura. Ele lançou o 'Medley Trap' há seis anos, adaptando sucessos do rap para o piseiro. Hoje, ele se identifica mais com o termo 'popseiro', que abrange influências do trap, funk e música eletrônica. Seus shows têm cenários eletrônicos e atraem um público jovem e conectado.

Resistência em festas tradicionais

Apesar do sucesso, o trapseiro enfrenta resistência em eventos tradicionais de forró, como o São João de Caruaru. Felipe Amorim, que foi anunciado na programação, afirma que manterá seu repertório, destacando a importância de ter personalidade artística.

João Gomes e o 'bonéu'

João Gomes, um dos maiores nomes do piseiro, também incorpora elementos do trap. Sua música 'Mete um Block Nele' (2021) tem arquitetura influenciada pelo rap. Ele usa o 'bonéu', uma mistura de boné com chapéu de vaqueiro, que simboliza a reinvenção da indumentária de Luiz Gonzaga. Para a pesquisadora Moema França, foi o piseiro que 'hackeou' o trap, e não o contrário.

Fusão como movimento mundial

Artistas como Dupê e Mago de Tarso se inspiram em fenômenos globais como Bad Bunny e Peso Pluma, que também regionalizaram seus sons. Eles acreditam que a força está em ser profundamente regional, criando identificação com o público. O trapseiro, assim, não é apenas uma moda, mas uma renovação estética e musical do forró.

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