Casarão histórico de Campinas tombado há 30 anos se deteriora em meio ao abandono
Casarão histórico de Campinas se deteriora após 30 anos de tombamento

Casarão histórico de Campinas tombado há três décadas enfrenta deterioração e abandono

Um casarão histórico localizado no bairro Parque Jambeiro, em Campinas, está em estado de deterioração avançada, mesmo após mais de trinta anos de tombamento. Moradores da região reclamam do abandono do imóvel, que deu nome ao bairro, e cobram ações urgentes do poder público para preservar o espaço, que segue em ruínas e sem uso definido desde 1993.

Patrimônio em ruínas: símbolo histórico convive com mato alto e estrutura comprometida

Localizado a menos de um quilômetro da Rodovia Anhanguera, o casarão é um dos símbolos da formação econômica e social de Campinas, mas atualmente apresenta um cenário desolador. A estrutura está tomada pela vegetação, com árvores crescendo dentro do imóvel e raízes se misturando aos tijolos antigos, que ainda exibem inscrições das famílias que encomendaram o material às olarias. Parte do madeiramento original desabou, expondo o porão da construção, e o telhado está ausente, agravando a degradação.

A aposentada Maria Celina da Silva expressa sua preocupação: “O negócio está meio abandonado, né? E não pode ficar abandonado desse jeito. A prefeitura tem que dar um jeito de arrumar isso”. Sua fala reflete o sentimento de muitos moradores que veem o patrimônio histórico se perder diante dos olhos.

Especialista alerta: tombamento não garante preservação sem envolvimento público

O doutor em história Marcelo Gaudio explica que o processo de preservação falhou devido à falta de envolvimento contínuo do poder público. “Apenas tombar não adianta. Você precisa gerar esse sentimento de pertencimento da população para o patrimônio que está em volta. No fim, a casa foi textualmente preservada, mas ela foi abandonada pelo poder público que não soube o que fazer e as próprias pessoas não tiveram mais relação com o espaço, que foi se perdendo na memória”, afirma Gaudio.

Ele ressalta que o Parque Jambeiro, apesar de próximo ao centro, permanece isolado, sem atividades municipais nas áreas de saúde ou cultura, contribuindo para o esquecimento do local ao longo das décadas.

Moradores sugerem usos alternativos para o espaço histórico

Diante do abandono, os moradores do bairro propõem diferentes utilizações para o casarão, caso ele seja recuperado. Maria Celina sugere a transformação do espaço em um hotel, enquanto o morador Heindelberg Rezente espera que se torne um local de lazer. “Eu espero que o poder público tome as providências de montar isso aqui, uma biblioteca, uma área de lazer para o pessoal fazer uma caminhada, e para pôr iluminação, porque isso aqui é um emprego danado”, afirma Rezende.

Já a babalorixá Nair Lourenço, que frequentemente passa pelo local para colher ervas, vê potencial para serviços essenciais. “Aqui dá um bom posto de saúde, aqui dá uma coisa de emergência para atender as pessoas do bairro”, diz ela. Atualmente, a única área da antiga Fazenda Jambeiro com uso público é um lago transformado em parque, com pista de caminhada, enquanto o casarão histórico permanece fechado e sem projetos em andamento.

Histórico do imóvel: da produção de café ao abandono nas décadas recentes

A antiga Fazenda Jambeiro foi uma das grandes produtoras de café da região de Campinas no século 19. A sede foi construída em 1897 e, com o fim do ciclo do café, passou por tentativas de diversificação da produção antes de ser abandonada na década de 1970. Em 1979, os terrenos começaram a ser divididos e vendidos, e por iniciativa dos moradores e do Condepacc, o imóvel foi tombado em 1993.

Parte das construções foi demolida de forma irregular ao longo dos anos, e o que restou da sede foi doado à Prefeitura de Campinas em 1998. Desde então, a falta de manutenção e a ausência de um plano de uso definido têm acelerado a deterioração deste importante marco histórico da cidade.