Tamanduá ferido e filhote isolado em poste geram alerta ambiental na Avenida Liberdade, Belém
Tamanduá ferido e filhote em poste acendem alerta em Belém

Tamanduá ferido e filhote isolado em poste geram alerta ambiental na Avenida Liberdade, Belém

Um caso envolvendo um tamanduá-mirim adulto ferido e seu filhote separado acendeu um alerta ambiental na Avenida Liberdade, em Belém, na manhã deste domingo (19). A descoberta foi feita por uma médica veterinária que preferiu não se identificar, enquanto seguia de Marituba para a Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra).

Resgate de animais silvestres mobiliza autoridades

Segundo relatos da veterinária, a fêmea de tamanduá estava presa sobre uma viga de cerca, visivelmente machucada e sangrando, possivelmente após ter sido atropelada. Já o filhote, que costuma permanecer agarrado ao dorso da mãe nessa espécie, teria se separado com o impacto e foi visto no alto de um poste de iluminação no canteiro central da via.

"Algumas pessoas estavam ao redor. Orientei que não tentassem pegar o animal, pois ele poderia se defender e causar ferimentos", relatou a profissional. Ela acionou a Polícia Militar e solicitou que o Corpo de Bombeiros fosse informado para realizar o resgate, com a corporação confirmando o envio de uma equipe ao local.

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Frequência de atropelamentos na região preocupa especialistas

A veterinária destacou que outros casos de atropelamento de animais silvestres são frequentes na região. Ela citou a morte de anfíbios ao longo da via e relatou que, na última sexta-feira (17), um quati-de-cauda-anelada foi encontrado morto nas proximidades da Alça Viária.

O g1 entrou em contato com a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seinfra), a Defensoria Pública do Estado (DPE), o Ministério Público Federal (MPF), a Polícia Ambiental e o Corpo de Bombeiros, pedindo um posicionamento sobre o caso, mas ainda não obteve retorno até a última atualização da reportagem.

Avenida Liberdade: mobilidade versus impactos ambientais

A Avenida Liberdade, entregue no último dia 2, foi planejada para conectar a Alça Viária à avenida Perimetral, com aproximadamente 14 quilômetros de extensão cortando três municípios: Marituba, Ananindeua e Belém. A via se apresenta como uma nova alternativa de acesso à capital paraense, prometendo melhorar a mobilidade na Região Metropolitana.

No entanto, a construção da avenida é alvo de críticas de moradores e ambientalistas, que apontam impactos socioambientais significativos. A obra suprimiu cerca de 72 hectares de floresta, atravessa uma unidade de conservação e afeta ao menos 250 famílias de povos tradicionais, com relatos de prejuízos a atividades como pesca e extrativismo.

A Defensoria Pública do Estado (DPE) questionou o projeto na Justiça, alegando ausência de consulta adequada às comunidades atingidas, o que reforça as polêmicas ambientais e ações judiciais em torno da infraestrutura.

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