Comunidade no Pará celebra soltura de mais de mil filhotes de tracajá em projeto histórico de preservação
Na manhã deste sábado, 7 de dezembro, a comunidade Capitão, localizada às margens do Lago Juruti Velho, no município de Juruti, Pará, realizou uma emocionante soltura de 1.173 filhotes de tracajá. O evento reuniu moradores locais, estudantes e representantes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Juruti (Semma), marcando mais um capítulo de um projeto de preservação que já dura 26 anos.
Programação incluiu celebrações e conscientização ambiental
As atividades começaram com uma cerimônia de agradecimento e bênção dos quelônios na sede social da comunidade. Em seguida, houve apresentações de dança com temática ambiental, destacando a importância da conservação da fauna local. Durante o evento, foram entregues certificados a nove agentes ambientais voluntários, reconhecendo seu trabalho dedicado na proteção dos animais na região.
Após a programação inicial, os participantes seguiram até uma praia mais afastada da comunidade, onde os filhotes foram devolvidos à natureza. Essa ação contribui diretamente para o repovoamento do Lago Juruti Velho, ajudando a manter o equilíbrio ecológico da área.
Projeto de preservação envolve múltiplas etapas e parcerias
O trabalho de preservação desenvolvido na comunidade Capitão é um exemplo de dedicação e colaboração. O projeto inicia em setembro, quando os ovos são coletados nas praias do lago e transportados para uma chocadeira construída às margens da água. Após o nascimento, que ocorre entre novembro e dezembro, os filhotes são levados para um berçário, onde recebem alimentação e cuidados especiais até atingirem o tamanho ideal para a soltura.
Todas as etapas contam com o apoio fundamental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Juruti e da Associação das Comunidades da Região de Juruti Velho (Acorjuve). Salumir Lima Rocha, um dos responsáveis pelo projeto na comunidade, destacou a participação de estudantes das escolas Erisson Pereira Silva e Manoel Pereira da Cunha na programação. Segundo ele, envolver os jovens é essencial para fortalecer a consciência ambiental e formar multiplicadores na defesa dos quelônios na região.
Desafios e importância da proteção dos quelônios
Salumir também alertou para um dos principais desafios enfrentados pelo projeto: a ação de pessoas que capturam e comercializam espécies protegidas, prática proibida pela legislação ambiental. A representante da Semma, Francimara Matos, reforçou a necessidade de a população respeitar as leis ambientais que garantem a proteção das áreas de reprodução dos quelônios.
O biólogo da Semma, Júlio Albuquerque, explicou que os quelônios desempenham um papel crucial no equilíbrio dos ambientes aquáticos, atuando como indicadores de saúde ecológica. Ele também enfatizou que a participação dos estudantes é um fator vital para a continuidade das ações de preservação nas comunidades, garantindo que as futuras gerações continuem a proteger a biodiversidade local.
Este evento não apenas celebra a soltura dos filhotes, mas também simboliza décadas de esforço coletivo em prol da conservação ambiental, servindo como inspiração para outras regiões do país.



