Piru-piru anilhado em SP é encontrado em SC após dois anos em estudo inédito
Piru-piru anilhado em SP é encontrado em SC após dois anos

Piru-piru anilhado em São Paulo é localizado em Santa Catarina após dois anos

Um estudo pioneiro no litoral de São Paulo, conduzido pela bióloga Karina Ávila do Projeto Aves Limícolas, está revelando dados cruciais sobre o comportamento do piru-piru (Himantopus palliatus), uma ave em perigo de extinção no estado. Em 2024, pesquisadores colocaram dois anéis de identificação em um exemplar da espécie em Ilha Comprida, e, em março de 2026, o animal foi encontrado em São Francisco do Sul, Santa Catarina, a aproximadamente 200 quilômetros ao sul de seu local de origem.

Ciência cidadã e anilhamento desvendam rotas migratórias

A descoberta foi possível graças ao trabalho de observadores de aves, como Maurício Weingartner, que avistou o piru-piru anilhado e reportou o achado. Karina Ávila destacou a importância dessa colaboração: "Graças ao anilhamento e à ciência cidadã, estamos conseguindo entender como o piru-piru se comporta no litoral paulista e para onde os jovens vão quando aprendem a voar".

O processo de anilhamento envolve a colocação de dois anéis nas patas das aves: um metálico, fornecido pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave), e um colorido que identifica a cidade de origem — azul para Ilha Comprida e verde para Itanhaém e Peruíbe. Essa técnica permite monitorar os deslocamentos e hábitos da espécie com precisão.

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Estudo inédito busca detalhar espécie ameaçada

A pesquisa, que faz parte do doutorado de Karina Ávila na Universidade Estadual Paulista (Unesp) no Campus do Litoral Paulista, é a primeira a focar no piru-piru no Estado de São Paulo. Os filhotes são acompanhados desde a eclosão dos ovos até o início do voo, com objetivos específicos:

  • Detalhar as características e comportamentos da espécie
  • Analisar a presença de metais pesados nos ovos e penas
  • Investigar se os jovens que migram para o Sul retornam a Ilha Comprida para reprodução

O projeto conta com patrocínio de organizações não governamentais como Wader Quest e Manomet, além de apoio de diversas instituições ambientais e prefeituras locais.

Espécie enfrenta ameaças no litoral paulista

O piru-piru está classificado como em perigo no Estado de São Paulo, uma categoria que reflete alto grau de preocupação na escala de vulnerabilidade. Karina Ávila explicou que a destruição de dunas e vegetação de jundu, essenciais para sua reprodução, é a principal causa desse status. "Com exceção da Ilha Comprida, quase não existem dunas e vegetação de jundu, que é onde ele se reproduz. As dunas e a vegetação de praias e dunas foram destruídas na maior parte do litoral paulista", afirmou a bióloga.

Além da perda de habitat, a espécie sofre com o turismo descontrolado, que resulta na morte de ovos e filhotes por cães, veículos e pisoteio de banhistas. Essas pressões tornam urgentes as ações de conservação.

O estudo continua a avançar, com esperança de que os dados coletados possam orientar políticas públicas e iniciativas de preservação para garantir a sobrevivência do piru-piru e de outras aves limícolas no litoral brasileiro.

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