Onça-pintada resgatada como animal doméstico passa por treinamento inédito para retornar à natureza
Onça-pintada resgatada como pet passa por treinamento inédito para soltura

Onça-pintada resgatada como animal doméstico passa por treinamento inédito para retornar à natureza

Uma onça-pintada, encontrada usando coleira de cachorro em Roraima e que passou por reabilitação em Brasília, segue agora para o Instituto Nex, em Corumbá de Goiás, para a fase final do processo antes de ser solta na natureza novamente. O animal está apresentando comportamento selvagem que, segundo especialistas, é fundamental para a soltura.

Resgate e recuperação da onça-pintada

De acordo com o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) de Brasília (DF), a onça foi encontrada há 14 meses e resgatada por policiais ambientais em uma chácara no município de Caroebe, na região sul de Roraima. Na época, ela tinha pouco mais de um mês e foi encontrada desidratada, ferida, com lesões, escoriações e fungos pelo corpo.

Depois de passar por exames no Cetas de Boa Vista, também em Roraima, a onça, um dos símbolos da fauna brasileira, seguiu para a unidade da capital federal, onde terminou a recuperação e está com excelentes condições de saúde, com peso e força adequados para a sua idade.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Protocolo inédito de reabilitação

O chefe do Cetas de Brasília, Júlio César Montanha, disse que o protocolo usado no filhote de onça-pintada é inédito para a espécie. Depois de 1 ano e 2 meses do resgate, a onça ganhou 40 kg, tem apresentado comportamento selvagem e com grandes chances de soltura posterior na natureza.

De acordo com o Cetas, até que o filhote esteja completamente pronto para a soltura, deve continuar o processo de reabilitação no Instituto Nex, considerado um "santuário de onças resgatadas", em Corumbá de Goiás, a cerca de 80 km de Brasília.

Processo final para soltura na natureza

Segundo o Cetas, no Instituto Nex a onça terá um recinto maior e mais isolado dentro da mata, com menos interferência humana, onde deverá ficar entre seis e oito meses. Nesse ambiente maior, os especialistas esperam avaliar os comportamentos naturais que ela precisa desenvolver para ter autonomia necessária e poder ser solta em seu habitat.

Segundo Júlio César, a onça está maior e mais pesada, com cerca de 40 quilos. Ele explica que agora ela tem comportamento selvagem; ela já caça suas presas, além de evitar o contato humano, como esperado.

Entenda o passo a passo antes da soltura:

  1. Processo de reabilitação iniciado com um período de quarentena para observação nos aspectos clínico e comportamental.
  2. Atividades de enriquecimento ambiental para que o animal seja estimulado a se movimentar com o uso de seus instintos e desenvolvimento físico profícuo.
  3. Transferência para recinto maior e isolado no Instituto Nex para avaliação final de comportamentos naturais.
  4. Soltura na natureza após confirmação de autonomia e adaptação ao habitat selvagem.

Este caso representa um marco na conservação da fauna brasileira, demonstrando a eficácia de protocolos inovadores para a reabilitação de animais silvestres resgatados de situações inadequadas.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar