Filhote de onça-pintada nasce na Serra dos Carajás e recebe nome Xingu após votação popular
O BioParque Vale Amazônia, localizado em Parauapebas, no sudeste do estado do Pará, anunciou neste domingo (29) o nome do mais novo habitante: Xingu. A revelação ocorreu durante as comemorações dos 41 anos do parque, situado na Serra dos Carajás, após uma votação online que mobilizou todo o país.
Processo democrático para nomear a oncinha
O público teve a oportunidade de participar da escolha do nome até a última sexta-feira (27). A votação recebeu um total impressionante de mais de 28 mil votos, demonstrando o engajamento nacional com a conservação da fauna brasileira. Os nomes disponíveis possuíam origem indígena e homenageavam importantes rios da Amazônia.
O nome Xingu emergiu como o grande vencedor, conquistando mais de 56% dos votos. Em seguida, apareceram Solimões, com 7.832 votos (27,7%), e Tapajós, com 4.642 votos (16,3%).
Marco para a conservação de espécie ameaçada
Xingu é um filhote macho de onça-pintada, com genética do Cerrado, que veio ao mundo no final de dezembro. Seu nascimento é resultado de um programa de reprodução conduzido pela equipe técnica do parque e representa um marco significativo para a conservação da espécie, atualmente classificada como ameaçada de extinção.
Em um período de 12 anos, este é apenas o sétimo nascimento de onça-pintada registrado no BioParque de Parauapebas. "O nascimento de um animal ameaçado reforça a importância de projetos de conservação da biodiversidade", explica Nereston de Camargo, veterinário do espaço. "No Bioparque, o trabalho contínuo para garantir bem-estar físico e comportamental cria condições adequadas para a reprodução destas espécies".
Cuidados especiais e expectativas
Por enquanto, o filhote permanece na área interna do recinto, recebendo cuidados especiais por ser recém-nascido. A expectativa da equipe é que Xingu possa ser apresentado ao público ainda no primeiro semestre deste ano.
A gestação da onça-pintada dura de três a quatro meses e geralmente resulta em até dois filhotes. O novo morador é filho do casal Marília e Zezé, ambos com genética do Cerrado e já integrados ao plantel do local.
Histórico de sucesso em reprodução
O BioParque de Parauapebas possui um histórico notável na reprodução de onças-pintadas:
- 2014: Thor e Pandora (genética amazônica)
- 2016: Sheila e Leila (melânicas, também amazônicas)
- 2022: Rhudá e Rhuana (genética do Cerrado)
O nascimento de Xingu reforça a continuidade deste trabalho essencial de preservação da fauna brasileira.
Importância ecológica e diversidade do parque
A onça-pintada é o maior felino das Américas, podendo atingir até 1,90 m de comprimento, 80 cm de altura e 135 kg na fase adulta. Além desta espécie emblemática, o BioParque já registrou o nascimento de outras espécies ameaçadas, como:
- Ararajuba
- Arara-azul
- Mutum-de-penacho
- Gavião-real
- Onça-parda
- Queixada
- Anta
Nos últimos anos, o espaço também foi pioneiro no Brasil na reprodução de uma harpia em exibição e contribuiu ativamente com o Programa de Reintrodução das Ararajubas em Belém.
Compromisso com a biodiversidade
Atualmente, o BioParque abriga 360 animais de 67 espécies da fauna silvestre, incluindo aves, mamíferos e répteis, muitos deles raros ou ameaçados. O espaço mantém parcerias estratégicas com órgãos como ICMBio e Ibama, contando com uma equipe multidisciplinar formada por biólogos, veterinários, botânicos e analistas ambientais dedicados à conservação ambiental.



