Onça-parda é filmada caminhando por campus da Unesp no interior de SP
A neblina fina que costuma aparecer no campus da Unesp de Rio Claro, no interior de São Paulo, nas primeiras horas do dia, serviu de cenário para um encontro raro e silencioso. No final da madrugada do último dia 26 de janeiro, por volta das 5h30, o pesquisador Eduardo Guimarães Santos flagrou o caminhar furtivo do segundo maior felino das Américas: uma onça-parda, conhecida cientificamente como Puma concolor.
O vídeo, feito pelo próprio doutor em ecologia durante sua rotina de pesquisa de pós-doutorado, mostra o animal circulando tranquilamente entre as áreas edificadas e a vegetação do campus. Para Eduardo, o momento foi descrito como gratificante e tranquilo, mas o registro reacendeu na comunidade acadêmica o debate sobre a coexistência entre o ambiente urbano e a vida selvagem.
O equilíbrio no topo da cadeia alimentar
A presença da onça-parda, também conhecida como suçuarana, não é um fato isolado, mas um importante indicador biológico. Por ser um predador de topo de cadeia alimentar, sua sobrevivência no local demonstra que a região ainda oferece condições naturais suficientes para manter a espécie ativa. Sua dieta é variada, incluindo desde répteis, como o teiú, e aves, até mamíferos como tatus, capivaras e veados.
Contudo, especialistas alertam que a aproximação desses animais das áreas urbanas é, muitas vezes, resultado da perda de habitat. Para quem vivencia a ciência diariamente, o medo dá lugar ao respeito. Não tenho receio em encontrar o animal. Já o avistei em outras situações. Não acredito que o animal seja perigoso; tenho mais medo dos cachorros soltos que atacam, relata Eduardo.
Ciência contra o medo: como agir em caso de encontro?
Embora o vídeo tenha gerado alerta, o Grupo de Estudos de Animais Selvagens (GEAS) da Unesp esclarece que a onça-parda não se alimenta de humanos. Ataques são considerados muito raros e geralmente ocorrem quando o animal se sente acuado, ameaçado ou impedido de escapar.
Para garantir a segurança de pessoas e animais, o GEAS e a universidade divulgaram orientações baseadas em comportamento animal:
- Horários de atenção: A onça é um animal de hábitos noturnos. Evite caminhar próximo a áreas de mata fechada durante o período crepuscular (amanhecer e entardecer) e à noite, horários de maior atividade do felino.
- Cuidado com pets: Não deixe cães ou gatos soltos no campus. Além de ser proibido, animais domésticos podem se tornar presas e atrair a onça.
- Não alimente a fauna: Deixar comida disponível atrai as presas naturais da onça, como outros pequenos mamíferos, e, consequentemente, traz o predador para mais perto.
- Em caso de encontro: Mantenha a calma e dê passagem para que o animal encontre uma rota de fuga. Jamais faça contato visual direto, não tente tocar o animal ou encurralá-lo para fotos. Barulhos também ajudam a afastar o bicho.
Proteção legal e medidas de segurança
A onça-parda é protegida por lei. A Lei de Crimes Ambientais (nº 9.605/1998) criminaliza a caça, perseguição, maus-tratos e quaisquer injúrias contra animais selvagens. Em caso de avistamento ou emergência no campus, a orientação é contatar a Polícia Ambiental (190), Bombeiros (193) ou a equipe do GEAS para registro científico.
Este avistamento reforça a importância da preservação ambiental e da educação pública sobre a convivência segura com a fauna nativa, especialmente em áreas onde o urbano e o natural se encontram.
