Pescadores sofrem penalidades por captura ilegal de tubarão ameaçado no litoral pernambucano
Três pescadores foram autuados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) após mutilarem um tubarão-cabeça-chata na Praia do Paiva, localizada no município do Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife. O incidente ocorreu no dia 29 de março, quando os homens retiraram o animal do mar e realizaram cortes em suas barbatanas com facas, além de posarem para fotografias em cima da carcaça.
Multas aplicadas somam R$ 15 mil e investigações criminais estão em andamento
Cada um dos pescadores, que não tiveram seus nomes divulgados pelas autoridades, recebeu uma multa individual de R$ 5 mil, totalizando R$ 15 mil em penalidades. A autuação foi baseada na prática de captura ilegal, conforme estabelecido pelo Artigo 24 do Decreto 6.514/2008, que proíbe a caça de animais silvestres em risco de extinção. Além das multas administrativas, os indivíduos podem enfrentar processos criminais por maus-tratos ao animal, conforme destacado pelo Ibama.
Espécie ameaçada e importância ecológica destacadas por especialistas
O tubarão-cabeça-chata, cientificamente conhecido como Carcharhinus leucas, é uma espécie ameaçada de extinção e comum no litoral de Pernambuco. O Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) analisou as imagens do caso e confirmou a identificação do animal, enfatizando que "a conservação de espécies como o tubarão-cabeça-chata é fundamental para a manutenção do equilíbrio dos ecossistemas marinhos".
Segundo a Associação da Reserva do Paiva, o tubarão foi encontrado por volta das 7h do dia 29 de março, após ser capturado por uma rede de pesca em alto-mar, a uma distância entre um e dois quilômetros da costa. Sob orientação da equipe da associação, os pescadores enterraram as vísceras do animal e recolheram o restante da carcaça para descarte adequado.
Investigações adicionais envolvem prefeitura e Ministério Público
Além das ações do Ibama, o caso está sendo investigado pela prefeitura do Cabo de Santo Agostinho e pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE), que avaliarão possíveis violações adicionais e medidas legais complementares. As imagens da mutilação, enviadas ao g1 e à TV Globo, mostram claramente a gravidade do ato, com dois pescadores cortando as barbatanas e um deles subindo no tubarão para fotografias.
Este incidente reforça a necessidade de fiscalização rigorosa e conscientização ambiental em áreas costeiras, especialmente para proteger espécies vulneráveis. A aplicação de multas e a possibilidade de responsabilização criminal servem como um alerta contra práticas ilegais que ameaçam a biodiversidade marinha no Brasil.



