Zoológico de Bauru lamenta morte de lobo-guará de 16 anos, importante para preservação da espécie
Morte de lobo-guará de 16 anos é comunicada pelo Zoológico de Bauru

O Zoológico Municipal de Bauru divulgou, nesta segunda-feira (23), uma nota comunicando o falecimento de um lobo-guará macho de 16 anos. O animal, que estava próximo de completar 17 anos, atingiu uma idade considerada muito avançada para a espécie e apresentava um quadro de saúde delicado nos últimos meses, com complicações renais e cardíacas.

Trajetória e contribuição para a preservação

O lobo-guará chegou ao zoológico de Bauru em 2013, proveniente de um criadouro em Minas Gerais, onde havia sido resgatado em 2009. Durante sua permanência na instituição, ele desempenhou um papel essencial para a preservação da fauna brasileira, tendo gerado cinco filhotes. As crias foram destinadas a instituições vinculadas ao Plano de Manejo do Lobo-Guará, contribuindo significativamente para a manutenção da espécie em ambiente controlado.

Cuidados e vida solitária

Conforme explicado pelo zoológico, o lobo-guará vivia sozinho, já que é um animal solitário que se junta apenas em época de reprodução. A equipe do local ressaltou que o animal recebeu assistência e cuidados paliativos durante todo o período em que enfrentou as doenças crônicas, garantindo seu bem-estar até o fim.

Chegada de nova fêmea e futuros planos

Recentemente, o zoológico recebeu uma fêmea de lobo-guará resgatada de uma mineradora na região de Brumadinho. Ela chegou por meio de indicação do Plano de Manejo para Conservação da espécie, coordenado pela Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil. A fêmea tem cerca de 1 ano de idade e ainda está em período de quarentena, por isso não teve contato com o macho que faleceu.

Nos próximos meses, ela passará por um processo gradual de aproximação com outro macho que vive no zoológico de Bauru há aproximadamente 4 anos, visando futuros programas de reprodução.

Zoológico como referência em preservação

Com aproximadamente 700 animais de 170 espécies, o Zoológico de Bauru é uma referência na preservação e reprodução de animais, inclusive de espécies ameaçadas de extinção. Em 2013, o local foi o primeiro zoológico do Brasil a conseguir a reprodução de pinguim-de-magalhães em cativeiro.

Outros feitos notáveis

Outros nascimentos que marcaram a história do zoológico incluem:

  • Dois filhotes de macacos raros brasileiros de espécies em extinção: bugio de mãos ruivas e sauim de coleira, em 2013.
  • Reprodução de uma espécie de ave gigante da Oceania ameaçada de extinção.
  • Nascimento de um filhote de tamanduá-bandeira, a maior das quatro espécies de tamanduás existentes no continente.

Participação em programas de conservação

O zoológico também participa ativamente de programas de conservação, como o do sauim-de-coleira, primata natural do Amazonas e espécie endêmica em Manaus. Essa iniciativa é realizada por meio de uma parceria com a Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil e o Instituto Chico Mendes para Conservação da Biodiversidade.

"Trabalhamos com alguns planos de manejo de animais ameaçados de extinção. O zoológico de Bauru faz parte de alguns. Dentre eles, o sauim-de-coleira, que é uma espécie endêmica da Amazônia e que está ameaçada, e o sagui-da-serra-escuro, que também é de pequeno primata da região da Mata Atlântica", explicou Samantha, representante do zoológico, em entrevista anterior.

A perda do lobo-guará é sentida pela equipe, que destaca sua importância para os esforços de conservação da biodiversidade brasileira.