Flagrante raro: vídeo mostra mãe e filhote de ouriço-cacheiro no Parque Nacional da Tijuca
Mãe e filhote de ouriço-cacheiro flagrados em vídeo raro na Tijuca

Flagrante raro: vídeo mostra mãe e filhote de ouriço-cacheiro no Parque Nacional da Tijuca

Um registro visual extraordinário foi capturado no fim de dezembro no Parque Nacional da Tijuca, localizado na Zona Norte do Rio de Janeiro. As imagens, que estão circulando entre especialistas e amantes da natureza, flagraram uma mãe e um filhote de ouriço-cacheiro compartilhando um momento de cuidado materno no alto das árvores da maior floresta urbana replantada do planeta.

Cena incomum em meio à vegetação

O vídeo foi gravado por Guilherme Medeiros, funcionário do Parque Nacional da Tijuca há impressionantes 14 anos. Segundo ele, avistar ouriços-cacheiros de forma tão exposta não é algo comum, mesmo para quem trabalha diariamente na preservação da área.

“Vi a mãe com o filhote há algumas semanas e, diferente de outros bichos que costumo encontrar, como o gavião-carcará, é difícil ver um ouriço dessa maneira, mesmo nas árvores”, revelou Medeiros, destacando a singularidade do momento registrado.

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Comportamento solitário da espécie

De acordo com o médico veterinário e biólogo Jeferson Pires, da Clínica de Recuperação de Animais Silvestres da Universidade Estácio de Sá (CRAS-Unesa), o vídeo mostra uma fêmea acompanhada de um filhote que já está quase na fase adulta.

“O animal mais claro é o filhote. Ele ainda deve mudar de cor em breve, porque os filhotes podem apresentar coloração mais branca, amarelada ou ruiva. Na fase adulta, a coloração escurece”, explicou o especialista.

Pires destaca que o flagrante é particularmente incomum porque os ouriços-cacheiros são animais naturalmente solitários. Eles costumam se aproximar de outros indivíduos apenas durante o período reprodutivo ou em situações de cuidado materno, como a capturada nas imagens.

Hábitos noturnos e características únicas

Segundo informações do próprio parque, a dificuldade em avistar esses roedores está diretamente relacionada ao seu comportamento predominantemente noturno. Eles geralmente saem para se alimentar ao entardecer e durante a noite, permanecendo reclusos ao longo do dia para descanso e proteção contra predadores.

Os filhotes da espécie já nascem equipados com espinhos e desenvolvem rapidamente a capacidade de se locomover e se alimentar, acompanhando a mãe em suas incursões pelas copas das árvores – ambiente natural onde a espécie estabelece seu habitat.

Orientações importantes para observação

Jeferson Pires orienta que, ao encontrar um ouriço-cacheiro em seu ambiente natural, as pessoas devem evitar qualquer tipo de aproximação ou tentativa de tocar no animal.

“Eles não lançam os espinhos, mas a recomendação é manter distância e respeitar a fauna silvestre. O espinho é um pelo modificado que se solta como mecanismo de defesa quando o animal é tocado”, alertou o biólogo.

Viviane Lasmar, chefe do Parque Nacional da Tijuca e analista ambiental do ICMBio, reforça a importância do respeito à vida selvagem: “Se mantivermos distância e não oferecermos alimentos, os animais permanecem em segurança e nós temos a chance de observar o espetáculo da natureza”.

Este registro serve como um lembrete valioso da rica biodiversidade que habita o Parque Nacional da Tijuca, destacando a necessidade contínua de preservação e observação responsável da fauna local.

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