Garça Gilda estabelece rotina matinal e come peixe na mão em pousada no Lago de Furnas
Nas tranquilas margens do Lago de Furnas, localizado no Sul de Minas Gerais, uma cena encantadora e discreta se repete quase diariamente em uma pousada no distrito de Pontalete, em Três Pontas. Sempre por volta das oito horas da manhã, antes mesmo do movimento da casa começar, uma visitante especial já aguarda pacientemente na varanda. Silenciosa, com sua plumagem branca imaculada e olhos atentos, a garça ocupa o mesmo lugar, esperando pelo seu café da manhã. Ela tem um nome: Gilda.
Uma relação que nasceu de um gesto simples
O ritual começou há aproximadamente três anos, de forma completamente espontânea e sem qualquer planejamento. A empresária Margareth Rodrigues da Silva Figueiredo, proprietária da pousada, notou a ave pousada no telhado e decidiu oferecer um lambari, um peixe comum nas águas do lago. A aproximação foi gradual, evoluindo lentamente até se tornar um hábito consolidado. Atualmente, Gilda pousa diretamente sobre a mesa da varanda e aguarda pelo alimento sempre no mesmo horário, demonstrando uma incrível pontualidade.
Segundo Margareth, a garça aparece quase todos os dias, e quando não está imediatamente visível, basta a empresária ser avistada para que ela se aproxime. "Ela foi chegando, chegando… até que um dia comeu na minha mão. Hoje eu abro a porta da varanda cedo e ela já está ali me esperando. Quando não está, ela me vê e vem", relata Margareth, destacando a confiança construída ao longo do tempo.
Alimentação seletiva e vínculo exclusivo
Inicialmente, duas garças frequentavam o local, batizadas de Gilda e Gisele, que apareciam juntas. Com o passar dos meses, apenas uma manteve a rotina diária na pousada, solidificando seu lugar especial. A alimentação oferecida segue um critério muito claro: Gilda só aceita peixe pescado no próprio Lago de Furnas. Em certos dias, Margareth se dedica a buscar o alimento especialmente para a visita, utilizando uma vara de bambu tradicional. Em outros momentos, conta com a colaboração de pessoas próximas para garantir o petisco.
"Se vier outra pessoa, ela não chega perto. Comigo, ela tem confiança", afirma Margareth, enfatizando o vínculo exclusivo que desenvolveu com a ave. Apesar de ter escolhido a varanda como seu ponto fixo, a presença da garça já surpreendeu em outros locais. Em um dia comum na prainha às margens do lago, Margareth foi reconhecida pela ave, que apareceu para um encontro inesperado. "Ela apareceu lá também. Foi algo marcante", relembra a empresária.
Liberdade e naturalidade na relação
Mesmo com a constância das visitas, Gilda não aparece todos os dias, e quando isso ocorre, Margareth sente sua ausência. "Fico pensando onde ela pode estar", comenta. Após se alimentar, a garça costuma permanecer um tempo na varanda, especialmente durante as manhãs, antes de retornar às águas do lago. A possibilidade de criar dependência já preocupou a empresária, que em um período de ausência deixou de oferecer alimento. Ao voltar, a ave reapareceu, mantendo a rotina sem alterações.
Para Margareth, não há explicação científica ou tentativa de controle nessa interação. É simplesmente um encontro que se repete de maneira natural e espontânea. "Ela sabe caçar. Ela se vira. É uma relação com a natureza. Ela vem e vai a hora que quiser", explica, ressaltando que não há domesticação, mas sim uma conexão baseada no respeito e na liberdade.
- Livre para ir e vir: apesar da regularidade, Gilda não depende da alimentação oferecida e mantém sua independência.
- Reconhecimento além da pousada: a garça já demonstrou reconhecer Margareth em outros pontos do lago, fortalecendo o vínculo.
- Relação natural e sem interferência: não há esforços para domesticar a ave, que aparece apenas por vontade própria.
Esta história singela ilustra como a convivência harmoniosa entre humanos e a fauna local pode criar momentos memoráveis, especialmente em regiões como o Lago de Furnas, um dos maiores reservatórios de água doce do Sudeste brasileiro, repleto de belezas naturais e narrativas inspiradoras.



