Filhote vivo da jiboia mais rara do mundo é encontrado pela primeira vez em SP
Filhote vivo da jiboia mais rara do mundo é achado em SP

Filhote vivo da jiboia mais rara do mundo é encontrado pela primeira vez em São Paulo

Um morador da comunidade do Guapiruvu, em Sete Barras, no interior de São Paulo, fez uma descoberta histórica: o primeiro indivíduo jovem vivo da jiboia-do-ribeira (Corallus cropanii), considerada a jiboia mais rara do mundo. O animal, com aproximadamente 80 centímetros de comprimento, foi localizado durante uma noite chuvosa, quando a lanterna de um carro iluminou o caminho. Agora, ele está sob cuidados de especialistas e será monitorado de perto por pesquisadores, marcando um marco simbólico para a conservação da espécie.

Registro ocorre em ano de celebração do projeto de conservação

Este achado acontece no ano em que o Projeto Jiboia-do-Ribeira completa uma década de atuação no Vale do Ribeira, dedicando-se a estudos científicos, monitoramento e atividades de educação ambiental com as comunidades locais. Daniela Gennari, coordenadora técnica do projeto e técnica das Coleções de Herpetologia do Museu de Zoologia da USP, destaca a importância do momento: "Ele tem 80 centímetros, é um jovem, o primeiro indivíduo imaturo encontrado vivo até agora. Para nós, é simbólico por isso e também por ter sido achado na localidade onde iniciamos as atividades em 2016". O trabalho de educação ambiental tem sido crucial para que moradores reconheçam a espécie e compreendam sua relevância ecológica.

Histórico da espécie e monitoramento contínuo

A jiboia-do-ribeira foi descrita pela ciência em 1953, e desde então, apenas 25 indivíduos foram registrados, incluindo exemplares mortos. O jovem encontrado é o quinto animal acompanhado diretamente pelos pesquisadores em dez anos de projeto. Antes dele, foram monitorados na natureza:

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  • Dona Crô (2017): uma fêmea adulta que foi o primeiro indivíduo vivo encontrado pelo projeto.
  • Esperança (2020): outra fêmea que contribuiu para estudos comportamentais.
  • Ribeiro (2022): o primeiro macho monitorado, oferecendo insights sobre a diversidade da espécie.

Recentemente, no fim do ano passado, uma fêmea adulta batizada de Juquiá foi resgatada em Juquiá (SP), sendo a primeira ocorrência da espécie na cidade. Com cerca de 1,70 metro, ela está sendo mantida no Instituto Rio Itariri, em Pedro de Toledo, em um ambiente controlado. Bruno Rocha, coordenador científico do projeto e colaborador do Instituto Butantan, expressou a emoção da descoberta do filhote: "É uma grande felicidade, com aquela sensação de 'Eureka' que todo cientista quer sentir. Estamos lidando com algo novo, mas também com o peso da responsabilidade de trabalhar com uma espécie tão rara".

Características e conservação da jiboia-do-ribeira

A jiboia-do-ribeira é endêmica do Vale do Ribeira, uma região montanhosa com condições ambientais específicas, o que contribui para sua raridade. Entre suas características distintivas estão:

  1. Fossetas labiais: pequenas cavidades na boca usadas para detectar calor, ajudando a diferenciá-la de serpentes venenosas.
  2. Coloração: ventre amarelado com manchas pretas no dorso, adaptada para camuflagem em florestas.
  3. Comportamento: locomoção lenta, atividade noturna e hábitos arborícolas, podendo ficar a até 20 metros de altura nas copas das árvores.
  4. Alimentação: baseada principalmente em pequenos mamíferos, como roedores.

Os pesquisadores utilizam transmissores de rádio implantados nos animais para rastreamento por até 12 meses após a reintrodução na natureza. Daniela Gennari enfatiza os desafios futuros: "Quando falamos de mudanças climáticas, elas podem ser uma atrocidade para essa espécie. Precisamos entender os impactos tanto na paisagem quanto no animal". O projeto, uma iniciativa independente coordenada por Bruno Rocha e Daniela Gennari, conta com apoio de diversas instituições, como Museu de Zoologia da USP e Instituto Butantan, visando tornar a jiboia-do-ribeira um símbolo de conservação para a região.

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