DPBEA de Campinas é alvo de fiscalização por maus-tratos após denúncia
DPBEA de Campinas fiscalizado por maus-tratos a animais

DPBEA de Campinas é alvo de fiscalização por maus-tratos após denúncia

O Departamento de Proteção e Bem-Estar Animal (DPBEA), localizado na Vila Boa Vista em Campinas (SP), foi alvo de uma rigorosa fiscalização nesta quinta-feira (5) após uma denúncia formal de maus-tratos. A ação foi conduzida pela Polícia Militar Ambiental, atendendo a uma solicitação direta do Ministério Público do Estado de São Paulo.

Condições estruturais inadequadas

De acordo com um laudo técnico emitido pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária, o estabelecimento não apresenta condições estruturais mínimas para funcionar adequadamente, nem para manter os animais internados em segurança. Atualmente, o DPBEA abriga 83 cães e 63 gatos, totalizando 146 animais que dependem dos cuidados da unidade.

Entre os principais problemas identificados pelos fiscais estão:

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  • Ausência de veterinários em período integral para atenção e cuidado dos animais internados
  • Desalojamento de animais que necessitam de internação
  • Estrutura dos setores de atendimento veterinário necessitando de adequações urgentes para retorno das atividades cirúrgicas
  • Estrutura física dos conjuntos para abrigo de animais precisando de reparos, reformas, trocas, pinturas e organização

A coordenadora do DPBEA, que estava de plantão no momento da fiscalização, foi conduzida até a delegacia para prestar depoimento sobre as condições encontradas.

Histórico de problemas estruturais

Esta não é a primeira vez que o DPBEA de Campinas enfrenta críticas por suas condições. Em maio de 2025, o Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Campinas (STMC) já havia exposto a situação precária do departamento. Na ocasião, o sindicato foi ao local para apurar uma denúncia de sobrecarga de trabalho dos servidores e constatou problemas graves.

A fiscalização do sindicato revelou:

  1. Apenas dois funcionários de carreira no serviço operacional de limpeza das baias
  2. Infiltrações e erosão do solo nas instalações
  3. Danos na fiação elétrica que representam risco de segurança
  4. Sacos de ração roídos por ratos e medicamentos vencidos
  5. Situação crítica em um freezer com forte odor de corpos em decomposição

Imagens enviadas pelo sindicato à EPTV, afiliada da TV Globo, evidenciaram os problemas estruturais. O sindicato informou que utilizará todas as informações coletadas para enviar um relatório detalhado ao Ministério Público do Trabalho (MPT).

Reformas em andamento

No dia 19 de fevereiro de 2026, a Secretaria do Clima, Meio Ambiente e Sustentabilidade (Seclimas) divulgou a conclusão da primeira etapa das obras de reforma e ampliação do DPBEA. Segundo a secretaria, as outras três etapas das obras incluem a reforma da antiga clínica, do canil central para cães mais agressivos, dos canis e gatis antigos, da área de animais de grande porte e da área administrativa.

Na primeira etapa já concluída foram realizadas:

  • Construção de seis canis, cada um com 18,7 metros quadrados
  • Dois novos gatis, cada um com 118,7 metros quadrados
  • Todos os novos espaços contam com solário e área gramada para conforto dos animais
  • Cada gatil tem capacidade para abrigar até 80 gatos
  • Cada novo canil pode receber até dois cachorros
  • Reforma da clínica, agora um prédio multiuso com 336 metros quadrados

A pasta destacou ainda que os novos gatis e canis estão recebendo iluminação adequada e mobiliário específico para uso dos animais, incluindo comedouros, bebedouros, arranhadores para gatos e camas. No prédio da clínica, estão sendo realizados trabalhos de impermeabilização do piso, climatização e instalação de mobiliário apropriado.

Após a conclusão de todas as etapas, cães e gatos serão realocados para os novos recintos. O investimento na primeira fase de reforma foi de R$ 600 mil, com recursos provenientes de Termo de Acordo de Compromisso e Termo de Ajustamento de Conduta (TACs), conforme informou a secretaria.

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O DPBEA de Campinas tem como responsabilidade abrigar animais vítimas de maus-tratos, abandono, atropelamento ou outros tipos de acidentes. No espaço, os animais devem receber tratamento médico-veterinário até sua recuperação completa, além de serem castrados, vacinados e microchipados antes de serem disponibilizados para adoção.