Criadores de São José dos Campos alertam sobre responsabilidade na adoção de coelhos na Páscoa
Além dos chocolates e do significado cristão, a Páscoa é tradicionalmente associada aos coelhos, o que leva a um aumento na procura por esses animais em criadores de filhotes de São José dos Campos, no Vale do Paraíba. No entanto, apesar do potencial de vendas, os criadores reforçam a importância dos cuidados com os bichos, que estão longe de serem simples presentes ou brinquedos festivos.
Responsabilidade a longo prazo
Os coelhos têm uma expectativa de vida de cerca de 10 anos, exigindo compromisso dos tutores. Gustavo Nogueira e Alex Freitas, proprietários de centros de criação ouvidos pelo g1, alertam que a adoção deve ser vista como uma responsabilidade duradoura, similar à de qualquer outro pet. "O coelho não é um brinquedo nem um presente de Páscoa, mas é uma vida que deve ser cuidada com todo amor e carinho, atendendo às suas necessidades", explicou Gustavo.
Diferente de cães e gatos, os coelhos não podem viver totalmente soltos. Eles precisam de um ambiente adequado, como gaiola ou cercado, que sirva como referência para alimentação, descanso e higiene, fatores essenciais para sua qualidade de vida. Alex destacou: "Tem que ter o conhecimento prévio do que aquele animal vai necessitar. Mesmo nessas épocas festivas, tomar um cuidado. Eu vou adquirir um coelho só porque está na época? Não. Não tem nada a ver uma coisa com a outra".
Sensibilidade ao estresse e papel das crianças
Os criadores também alertam para a sensibilidade dos coelhos ao estresse. Por isso, é ideal que os tutores, especialmente famílias com crianças, mantenham uma rotina bem definida, garantindo mais segurança e contribuindo para o bem-estar dos pets. Gustavo ressaltou: "Eu sempre brinco que o tutor mirim é café com leite. Ele não é o responsável. O responsável é o adulto. Agora, ele tem que ter compromissos também. E é legal para a criança desenvolver esse carinho, esse afeto, essa responsabilidade, esse cuidado com o animal, mas sempre sob a supervisão do adulto".
Alimentação e higiene específicas
A alimentação base desses animais exige atenção, sendo composta principalmente por feno. Verduras como couve, escarola e chicória também fazem parte da dieta, além da oferta constante de água fresca, segundo Alex. Outro ponto importante é que os coelhos são autolimpantes, ou seja, não precisam de banho, o que exige ainda mais cuidado para manter o ambiente sempre limpo. "Tem que tomar esse cuidado maior com ele, observar onde ele fica, para ele se manter sempre limpinho. Não tem que passear, só tem que ter tempo para ter um pet, como qualquer outro pet", afirmou Alex.
Apesar das particularidades, o custo de manutenção pode ser menor em comparação a outros animais, justamente por não haver necessidade de banhos frequentes.
Variedade de raças e adaptação do tutor
A variedade de raças e tamanhos atrai o público, e dentre as variações mais comuns nos criatórios estão:
- Coelho Anão Holandês: 20 a 25 centímetros, pesando entre 800g e 1,2 kg
- Coelho Mini Lion: 30 a 35 centímetros, pesando entre 1,5 kg e 2 kg
- Coelho Mini Lop: média de 30 centímetros, pesando entre 2 kg e 2,5 kg
- Coelho Gigante de Flandres: 75 cm a mais de 1 metro, pesando entre 7kg e 10 kg
Antes de escolher a raça do animal, é essencial que o tutor adapte seu estilo de vida e ambiente ao bicho, evitando decisões impulsivas motivadas pela data. "Assumir a responsabilidade por uma vida é uma demanda que requer adaptações. E não é essa vida que vai se adaptar a você. É você que quis, você que buscou, você que deve se adaptar a ela", defendeu Gustavo.
Em resumo, os criadores de São José dos Campos enfatizam que a Páscoa não deve ser um motivo para adoção impulsiva de coelhos, mas sim um momento para refletir sobre os cuidados e a responsabilidade envolvidos na posse desses animais, garantindo seu bem-estar a longo prazo.



