O verão brasileiro, com suas altas temperaturas e clima abafado, exige atenção especial não apenas das pessoas, mas também dos animais de estimação. Assim como os humanos, cães e gatos sofrem com o calor excessivo e necessitam de cuidados específicos para manter a hidratação e evitar problemas de saúde sérios.
Sinais de calor e a importância da respiração
A troca de calor nos pets ocorre de forma diferente da nossa. Enquanto os humanos transpiram pela pele, os animais realizam essa troca principalmente pela respiração, conforme explica a veterinária Thialla Odoricio Garcia, de Bauru, no interior de São Paulo. O sinal mais evidente de que o animal está com calor é a respiração ofegante.
"Essa troca de calor é feita através da respiração dos animais. Então, ficar ofegante é um dos sinais mais nítidos para a gente", relata a especialista em entrevista à TV TEM. Ela complementa que outros comportamentos também são comuns, como cavar buracos, deitar em cima de água ou ficar com a barriga no chão frio, em busca de alívio térmico.
Dicas práticas para refrescar seu animal
O adestrador Vinicius Bittencourt recomenda ações simples e eficazes para aliviar o mal-estar dos bichinhos nos dias mais quentes. Uma das sugestões é oferecer frutas congeladas como petisco refrescante. É fundamental, porém, que o tutor retire cascas, caroços e sementes, e verifique previamente quais frutas são seguras para a espécie do seu animal.
Outra opção são os brinquedos recheados congelados. Eles não apenas refrescam, mas também promovem o enriquecimento ambiental, distraindo o pet e fazendo com que gaste energia de forma saudável.
A hidratação merece atenção redobrada. A recomendação é oferecer água fresca em pequenas quantidades várias vezes ao dia. "Não é ideal deixar o pote muito cheio, especialmente após passeios, para evitar que o animal beba rápido demais", alerta Bittencourt. Ingerir água muito rapidamente pode causar engasgos, torção gástrica ou até aspiração para os pulmões.
Os passeios devem ser realizados nos horários mais frescos, evitando o sol forte, e sempre priorizando locais com sombra para proteger as patas sensíveis dos animais do chão quente.
Cuidados com banho, tosa e secagem
Muitos tutores levam os pets para piscinas ou praias durante o verão. Nesses casos, é preciso atenção ao pós-banho, pois o cloro e o sal do mar podem ressecar os pelos e irritar a pele. Camila Turini, mestranda pela Unesp de Botucatu e especialista em dermatologia animal, alerta que a combinação de umidade e sujeira favorece a proliferação de fungos e bactérias.
Ela ressalta que raças como pug e bulldog exigem cuidado extra com as rugas, principalmente na região do focinho. "É preciso manter seco, utilizar talcos para reduzir a umidade, secar com paninhos e até mesmo usar pomada para assaduras", orienta.
Quanto à tosa, muito procurada no calor, a veterinária Thialla Garcia faz um alerta importante. "Podemos sim tosar, mas não no zero, não deixar o pelo totalmente baixo. O ideal é deixar um pouquinho mais alto. Manter o pelo ajuda a manter a temperatura corporal do animal", explica. A pelagem atua como um isolante térmico, auxiliando na regulação da temperatura e não dificultando a troca de calor realizada pela respiração.
Para quem dá banho em casa, a secagem correta é indispensável. Danielli Santos, empresária dona de um pet shop em Bauru, adverte que secadores domésticos podem queimar a pele do animal ou não secar adequadamente. "É muito comum que nesse período os pets apresentem várias escamações, problemas ligados à falta de secagem correta", pontua. Ela relata um aumento de 30% na procura por serviços profissionais de banho e tosa durante o verão.
Com esses cuidados, é possível garantir que cães e gatos aproveitem a estação mais quente do ano com segurança, saúde e muito bem-estar.