Cão da PM do Rio, Hulck, será condecorado com cruz de bravura por ação heroica em operação policial
O cão Hulck, um pastor-belga-de-malinois da Polícia Militar do Rio de Janeiro, receberá a cruz de bravura da corporação em reconhecimento por sua atuação em uma operação que resultou na maior apreensão de drogas já registrada no país. A solenidade de homenagem está marcada para a próxima semana no Batalhão de Ações com Cães (BAC), localizado em Olaria, na zona norte da cidade.
Descoberta histórica no Complexo da Maré
Na madrugada de quarta-feira, 8 de abril de 2026, Hulck foi fundamental para localizar um bunker do tráfico no Complexo da Maré, especificamente na comunidade Nova Holanda. O local armazenava impressionantes 48 toneladas de maconha, em uma estrutura completamente fechada com concreto, que dificultava qualquer inspeção humana.
O tenente-coronel Luciano Pedro Barbosa da Silva, comandante do BAC, explicou que durante a operação, Hulck mudou seu comportamento, tornando-se mais ativo e começando a colocar a pata em pontos específicos, sinalizando para seu condutor que havia detectado algo. "Ele ficou agitado junto a uma cisterna abandonada, e sua reação foi crucial", destacou o oficial.
Capacidades olfativas superiores
Segundo o comandante, o faro de Hulck é cerca de cem vezes mais apurado que o de um ser humano, o que permitiu a descoberta mesmo com o bunker totalmente lacrado. "Nenhum policial humano teria a capacidade de encontrar o material nessas condições", afirmou Barbosa da Silva. Os traficantes, conforme a PM, quebravam o concreto para acessar a droga e depois selavam a estrutura novamente.
Hulck, que tem quase cinco anos de idade e nasceu dentro do BAC, começou seu treinamento aos seis meses, revelando desde cedo grande aptidão para farejar armas e drogas. Ele integra o batalhão há anos, participando de diversas operações importantes, e segue uma escala de trabalho semelhante à dos policiais, com oito horas de serviço seguidas por três dias de folga, período usado para treinamentos e lazer.
Família e equipe em ação
A operação no Complexo da Maré contou com a participação de seis cães do BAC, incluindo Hilda, filha de Hulck, que também demonstra talento para o trabalho policial. No total, 250 policiais militares de diferentes batalhões estiveram envolvidos na ação, que visava combater quadrilhas de roubos de veículos e cargas.
Após a descoberta, Hulck foi tratado como um herói pelos agentes, recebendo carinho e sendo fotografado extensivamente. "Ele só tem cara de bravo; na verdade, é super tranquilo e receptivo a afagos", garantiu o comandante.
Treinamento e motivação dos cães policiais
O tenente-coronel Barbosa da Silva esclareceu um mito comum sobre cães policiais: eles não estão viciados em drogas, mas sim motivados por recompensas. "Nos treinamentos, trabalhamos com uma bolinha de tênis. Quando patrulham, não buscam drogas, mas sim ganhar o brinquedo depois", explicou. O BAC possui 80 cães, a maioria da mesma raça de Hulck, considerada ideal para o serviço devido ao seu olfato aguçado e temperamento adequado.
Esta condecoração reforça o valor dos cães em operações de segurança pública, destacando como suas habilidades únicas podem superar limitações humanas em cenários complexos e perigosos.



