Cães comunitários se tornam 'funcionários' queridos em estabelecimentos do interior paulista
No interior de São Paulo, uma tendência encantadora tem ganhado espaço: cães comunitários, sem tutores fixos, são acolhidos por comércios locais, onde assumem papéis simbólicos de "funcionários" e trazem alegria ao dia a dia. Em cidades como Avaré, Itapeva e Itapetininga, esses animais recebem cuidados, carinho e até apelidos criativos, transformando-se em figuras públicas amadas pela comunidade.
Boleto, o 'CEO' de uma loja em Avaré
Em Avaré, um cão comunitário apelidado de Boleto conquistou o coração dos funcionários de uma loja de variedades no centro da cidade. Há dois meses, o animal começou a frequentar o local de forma constante, sendo adotado pela equipe. Em vídeos compartilhados nas redes sociais, é possível ver as funcionárias alimentando Boleto, que cumpre suas "obrigações trabalhistas" recebendo carinho, ração, petiscos e água fresca.
Após essas atividades, o cão aproveita um tapete para deitar, rolar e descansar, aguardando as próximas tarefas do seu "cargo". A loja brinca que Boleto trabalha pouco, ganha carinho, fiscaliza deitado e é o "funcionário" mais querido, com uma definição humorada de "CEO": come, encosta e observa.
Vinicius Rodolfo de Souza Assis, gerente de marketing da loja, explicou ao g1 que o estabelecimento é pet friendly e os funcionários têm o hábito de cuidar de animais sem lar, oferecendo comida, água e afeto. Boleto surgiu repentinamente, voltando repetidamente até se tornar uma presença fixa. Seu apelido veio de uma brincadeira entre os funcionários, comparando sua chegada diária e exigência de recursos ao boleto da vida adulta.
Apesar da fama, Boleto ainda não foi adotado oficialmente, o que preocupa seus cuidadores. Vinicius estima que o cão macho tenha entre cinco e sete anos e destaca sua personalidade carinhosa e brincalhona. Para ele, Boleto representa como as pessoas deveriam ser, exalando alegria e amor mesmo sem um lar fixo.
Interessados em adotar Boleto podem entrar em contato pelo telefone (14) 99820-7357 ou visitar a loja na Rua Pará, 1.451, no Centro de Avaré.
Maurício, o 'gerente' de um boteco em Itapeva
Em Itapeva, outro cão comunitário, chamado Maurício, assumiu o papel de "gerente" em um boteco local. Há cerca de um ano, o animal frequenta o estabelecimento, exercendo funções como correr atrás de clientes, supervisionar operações e até morder a perna dos distraídos.
Fernando Glauser Moreira, proprietário do local, relatou que Maurício é mais mandão, agindo como um "chefe" natural. O cão tem uma rotina intensa, trabalhando à noite no boteco e dormindo durante o dia em uma farmácia 24 horas da cidade. Comerciantes da região se unem para fornecer alimentação, hidratação, vacinação e atendimentos médicos a Maurício, sempre comunicando-se sobre seu bem-estar.
Na comunidade, Maurício é considerado uma figura pública, tirando fotos com moradores e participando de brincadeiras. Fernando destacou que a presença de animais como ele traz uma energia positiva, mostrando empatia e convivência. Interessados em adotar Maurício podem procurar o estabelecimento na Avenida Coronel Acácio Piedade, 329, em Itapeva.
Negão e Loira, os 'frentistas' de um posto em Itapetininga
Em Itapetininga, um posto de combustíveis conta com dois "frentistas" caninos há dez anos: Negão e Loira. Os cães acompanham a movimentação, recepcionam clientes e verificam trabalhos, sendo cuidados financeiramente pelo comércio.
Rosangela Callegari, proprietária do posto, relatou que há quase um ano, Negão foi atropelado por um motorista que não o viu. Agora, ele usa uma roupa reflexiva para evitar novos acidentes. Rosangela descreveu os animais como "funcionários" exemplares, que não faltam, não reclamam e trazem alegria ao local e aos clientes.
Luizinho, o 'subsecretário' da Defesa Animal
Ainda em Itapetininga, a Subsecretaria Municipal de Defesa Animal abriga Luizinho, um vira-lata caramelo que chegou de forma sutil. Nomeado em homenagem a um funcionário que o acolheu, o cão foi vacinado, castrado e recebe cuidados diários, contagiando a equipe com sua presença.
Contexto legal e comunitário
Tiago Rechinelli Vieira de Paula, advogado e professor de direito penal em Itapetininga, explicou que animais comunitários são aqueles que vivem em espaços públicos sem tutor individual, mas estabelecem vínculos com a comunidade. Em março de 2025, Itapetininga aprovou uma lei municipal regulamentando a proteção e cuidado com esses animais, definindo direitos, monitoramento e penalidades.
Essas histórias ilustram como pequenas atitudes de empatia e cuidado podem transformar a vida de animais e enriquecer a convivência urbana, provando que o amor sempre compensa.
