Carcará é flagrado predando quero-quero em condomínio de Franca, SP
Carcará preda quero-quero em Franca, SP; comportamento raro

Carcará é flagrado predando quero-quero em condomínio de Franca, SP

Um registro recente capturou uma interação rara na natureza: um carcará (Caracara plancus) foi flagrado predando um quero-quero (Vanellus chilensis). A cena ocorreu em um condomínio de Franca, no interior de São Paulo, e foi documentada por Miguel Veronez, que testemunhou o momento exato da captura.

"Foi do nada. Eu estava trabalhando quando escutei aquele alvoroço dos quero-queros. Quando saí, o carcará já estava em cima. Foi rápido, durou cerca de dois minutos", relatou Miguel. O flagrante chama a atenção por mostrar um comportamento pouco comum para o carcará, uma ave de rapina que normalmente não é especializada em caça ativa.

Comportamento oportunista do carcará

Para o ornitólogo Fernando Igor de Godoy, o carcará, apesar de ser um falconídeo, não é um caçador típico. "Ele é uma espécie de falcão, mas não caça como os outros. Geralmente se alimenta de animais mortos, ou seja, carcaças", explicou. O especialista destacou que é comum ver carcarás acompanhando urubus, que possuem olfato apurado, para localizar alimento, frequentemente às margens de rodovias, onde se alimentam de animais atropelados.

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Miguel Veronez, autor do registro, comentou: "Eu já tinha visto o carcará predar outras espécies, mas que já estavam debilitadas. Essa ação de caça ativa foi a primeira vez". Fernando Godoy também recordou um caso semelhante que presenciou há alguns anos, envolvendo um casal de carcarás perseguindo e matando uma garça-vaqueira, um evento considerado inusitado.

Desafios na identificação da predação

Segundo o pesquisador, muitos registros anteriores mostram carcarás com animais já debilitados ou agonizando, o que dificulta determinar se houve uma caça real ou apenas o aproveitamento de uma oportunidade. "Às vezes vemos o carcará com um animal semimorto, mas não sabemos se ele o abateu ou se apenas aproveitou que ele já estava ferido", explicou Godoy. Eventualmente, a espécie pode capturar pequenos animais, como lagartos e filhotes, mas sua adaptação para caça ativa é menos desenvolvida.

Armas das aves de rapina

Ao contrário do que se imagina, o bico não é a principal arma de ataque dessas aves. Em águias e gaviões, a captura e a morte da presa ocorrem por meio das garras, com o bico curvado servindo apenas para dilacerar a carne posteriormente. No caso do carcará, no entanto, essa adaptação é menos desenvolvida. "Ele tem unhas afiadas, mas não tem aquelas garras feitas para capturar e matar como outros falcões. Por isso, quando caça, normalmente é de forma oportunista", finalizou o ornitólogo.

Essas observações, somadas a registros de colegas com outras espécies, como o coró-coró, resultaram na produção de um artigo científico sobre a predação ativa na espécie, destacando a importância de documentar eventos raros na natureza.

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