Beija-flor com coloração rara é flagrado em Minas Gerais e intriga observador de aves
Beija-flor raro é registrado em MG e surpreende observador

Beija-flor com coloração rara é flagrado em Minas Gerais e intriga observador de aves

Pedro Veloso, um mineiro de Belo Horizonte que trabalha com automação industrial, encontrou sua verdadeira paixão na natureza. Desde a infância, ele frequenta o sítio da família em Sabará, Minas Gerais, o que o transformou em um observador de aves dedicado. Recentemente, um registro feito por ele ganhou destaque ao revelar um beija-flor com uma aparência "diferente" que surpreendeu até mesmo os especialistas.

O momento da descoberta

Durante o período do Carnaval, Pedro saiu cedo para fotografar o estrelinha-ametista, uma das menores espécies de beija-flor do Brasil. Após horas sem sucesso, ele decidiu ir embora, mas percebeu que havia esquecido parte do tripé sobre uma pedra. Ao retornar para buscar o equipamento, veio a surpresa inesperada.

"Vi um beija-flor-tesoura voando por perto, mas com uma coloração bem diferente. Na hora quase não acreditei. Fiz várias fotos e gravei um vídeo para confirmar se era um indivíduo com alguma alteração", relata Pedro, que já estuda biologia por conta do hobby. Ele sempre teve curiosidade em encontrar uma ave com plumagem especial livre na natureza e conseguiu manter a calma para registrar bem o momento, descrevendo-o como especial pela documentação detalhada.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Explicação científica para o fenômeno

Para entender o que torna esse beija-flor tão raro, o Terra da Gente consultou o professor Vítor Piacentini, do Departamento de Biologia e Zoologia da UFMT e especialista na família Trochilidae. Segundo o biólogo, as cores brilhantes dos beija-flores não vêm apenas de pigmentos, mas de uma microestrutura de queratina nas penas que funciona como um prisma, decompondo a luz em um efeito conhecido como iridiscência.

No caso do exemplar flagrado por Pedro, Piacentini descarta possibilidades como leucismo (manchas brancas) ou hibridismo (cruzamento entre espécies). O diagnóstico é uma "aberração na microestrutura". "Por algum motivo, esse indivíduo teve um problema na estruturação dessas camadas de queratina. Ele perdeu a capacidade de gerar o reflexo azulado ou esverdeado típico do beija-flor-tesoura (Eupetomena macroura)", explica o professor.

Detalhes sobre a cor 'fosca'

O especialista detalha que a melanina, o pigmento escuro, continua presente nas penas, mas uma falha genética impede que a luz sofra a difração que gera o brilho metálico característico. O resultado é uma ave com tons rosados e acinzentados, em vez do verde e azul vibrantes normalmente associados à espécie.

"É uma deficiência na construção das penas que resultou em algo parecido com um bicho que vi no Museu de História Natural do Reino Unido. A estrutura reflexiva, provavelmente por uma questão genética, não foi expressada por esse beija-flor", conclui Piacentini. Para Pedro, o registro serve como um incentivo adicional para continuar seus estudos e aprofundar o conhecimento sobre as espécies e seus comportamentos na natureza.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar