Motorista processa comerciante após carro ser coberto por avisos em vaga exclusiva em Goiânia
Motorista processa comerciante após carro coberto por avisos em Goiânia

Motorista processa comerciante após carro ser coberto por avisos em vaga exclusiva em Goiânia

Uma motorista de 20 anos, que trabalha como assistente de vendas em Goiânia, pretende processar a proprietária de uma loja de calçados por danos morais após ter seu carro completamente coberto por dezenas de papéis com avisos. O incidente ocorreu porque ela estacionou o veículo em uma vaga exclusiva do estabelecimento comercial no Setor Bueno, na capital goiana.

Constrangimento público e reação da lojista

A jovem, que pediu para não ser identificada, relatou ao g1 que deixou o carro na Rua T-38 por volta das 14h da sexta-feira (20) para trabalhar próximo ao local. Ao retornar por volta das 20h, encontrou o veículo coberto por aproximadamente 50 folhas de papel grudadas com fita adesiva em todos os lugares possíveis: placas de identificação (dianteira e traseira), para-brisa, janelas, teto e até nas duas rodas dianteiras.

Enquanto aguardava a chegada do namorado na calçada ao lado do carro, a motorista foi motivo de piada entre transeuntes. "Várias pessoas passavam na rua, ficavam rindo do carro, tiravam foto... Foi uma situação muito constrangedora e eu fui exposta", afirmou emocionada.

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No dia seguinte, ela retornou ao local com o carro ainda coberto pelos papéis e entrou na loja para pedir que retirassem os avisos. A comerciante respondeu com um "ah, é somente isso?" e começou a remover os papéis junto com a gerente da loja, sem oferecer qualquer desculpa pela situação.

Processo por danos morais e avaliação de prejuízos

A assistente de vendas já registrou boletim de ocorrência na delegacia e pretende acionar judicialmente a lojista. "O que me deixou mais chateada em relação a isso foi, primeiro, ela não ter se desculpado pela situação, principalmente por ela ser a dona do local. Ela também não deu abertura para conversar, para entender como eu me senti em relação àquilo", desabafou a jovem.

O veículo foi levado a uma oficina e a um lava-jato para avaliação de possíveis danos na pintura causados pela fita adesiva utilizada para colar os papéis. A motorista reconhece o direito da empresária de proteger sua vaga exclusiva, mas considera a reação desproporcional, citando como exemplo positivo uma ocasião anterior em que outro comerciante apenas deixou um bilhete educado em seu carro.

O que diz a legislação sobre vagas exclusivas

Eduardo Mariano, gerente de fiscalização da Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito (SET) de Goiânia, explicou em entrevista à TV Anhanguera que estabelecimentos comerciais que recuam seus lotes - ou seja, deixam de construir em parte do terreno - podem restringir vagas para seus clientes. No entanto, não cabe ao poder público aplicar multas nesses casos.

"Isso é um estabelecimento privado. A SET não tem competência para autuar, notificar e nem remover nenhum veículo, por exemplo, que não seja cliente da loja", esclareceu o especialista. A Resolução 965/2022 do Contran regulamenta que a via pública não pode ser objeto de restrição de estacionamento privado, mas a regra vale apenas para recuos, não para calçadas públicas destinadas a pedestres.

Silêncio da parte ré e desdobramentos

O g1 tentou contato com a proprietária da loja de calçados através de mensagens e ligações, mas uma funcionária informou que ela não iria se manifestar sobre o caso. A situação levanta questões sobre os limites das reações de comerciantes quando clientes não autorizados utilizam suas vagas exclusivas e os direitos dos cidadãos em situações de constrangimento público.

O caso ocorrido no Setor Bueno, uma das regiões comerciais mais movimentadas de Goiânia, ilustra os conflitos cotidianos no uso do espaço urbano e serve como alerta sobre as consequências jurídicas de ações consideradas excessivas na defesa de direitos privados em áreas de acesso público.

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