Um menino de 8 anos, Arthur Kenay Andrade De Oliveira, morreu após dar entrada em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Cubatão (SP) com diversas lesões. De acordo com o boletim de ocorrência, os ferimentos eram compatíveis com maus-tratos. O caso foi registrado como homicídio pela Polícia Civil.
O ocorrido
A mãe, de 24 anos, apresentou duas versões sobre o crime, e o padrasto, conhecido como 'Fuzil', de 31 anos, é o principal suspeito. O garoto chegou em parada cardiorrespiratória na unidade de saúde, no bairro Jardim Casqueiro, na noite de sexta-feira (1). Em nota, a Secretaria de Saúde de Cubatão informou que o paciente deu entrada vindo de São Vicente e os médicos tentaram reanimação, mas a vítima não resistiu.
Lesões identificadas
Segundo o registro policial, durante o atendimento, a equipe médica identificou lesões de unha no pescoço e lábio do menino, além de hematomas e manchas roxas em áreas como abdômen, tórax, dorso, membros inferiores e nádegas, compatíveis com indícios de maus-tratos. A Polícia Militar (PM) foi acionada.
Primeira versão da mãe
Quando os policiais chegaram ao hospital, a mãe disse que estava com o companheiro e o filho no apartamento onde mora, no bairro Cidade Náutica, em São Vicente. Segundo o relato, Arthur foi tomar banho após uma ordem do padrasto e, nesse período, ela cochilou por cerca de 10 minutos. Ao acordar, o companheiro não estava mais no local e o filho estava caído no banheiro. Ela acionou um motorista de aplicativo e foi até a UPA. A jovem disse que não sabia o nome do companheiro, apenas o apelido 'Fuzil'. Autorizou a entrada dos agentes no imóvel para buscar documentos. A equipe encontrou o apartamento trancado, com luz acesa e sinais de limpeza recente; na máquina de lavar, havia panos de limpeza lavados. Vizinhos relataram que o padrasto havia saído em um carro prata.
Nova versão
Durante o registro na delegacia, a mãe apresentou outra versão: disse que estava em um salão de beleza fazendo cílios quando o companheiro chegou e disse que o filho estava desfalecido no carro. O casal levou a criança até a UPA de Cubatão e, durante o trajeto, ela questionou o que havia acontecido, mas o homem não respondeu. Após deixar o menino na UPA, 'Fuzil' retornou para casa para buscar documentos da mãe, mas deixou a documentação com a irmã dela e não apareceu mais. A mulher afirmou que o companheiro parou de responder mensagens. Uma testemunha, dona do salão, confirmou a versão em depoimento.
Investigação
O caso foi registrado na Delegacia de Cubatão e encaminhado para investigação em São Vicente. A equipe ouviu a mãe e a testemunha, além de reunir imagens de monitoramento do prédio. Segundo a Polícia Civil, as imagens e depoimentos reforçaram a segunda versão: foi possível ver que a mãe havia saído do imóvel horas antes do padrasto deixar o apartamento com a criança nos braços. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que a Polícia Civil investiga a morte. A residência foi periciada e imagens de câmeras de segurança foram apreendidas. O caso foi registrado como homicídio na Delegacia de Cubatão. As investigações prosseguem para localizar o suspeito.
Despedida
Em nota publicada nas redes sociais, a escola de Arthur lamentou a morte dele. "Sentimos muito por tudo que sofreu, mas temos certeza que Deus te reservou o melhor lugar junto Dele com o carinho que você merece", escreveu.



