Jovem que teve mão amputada pelo namorado recebe alta da UTI
Jovem com mão amputada pelo namorado recebe alta da UTI

Ana Clara de Oliveira, de 21 anos, que teve uma mão amputada e a outra gravemente ferida em uma tentativa de feminicídio em Quixeramobim, recebeu alta da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) nesta sexta-feira (8), sete dias após o crime. A informação foi confirmada pela família da vítima. Ela foi transferida para a enfermaria do Instituto Doutor José Frota (IJF), onde continuará o tratamento.

No dia 1º de maio, Ana Clara foi submetida a uma cirurgia de emergência para reimplante da mão, após ser atacada a golpes de foice pelo irmão do namorado. O procedimento, considerado bem-sucedido, restaurou o fluxo sanguíneo para a mão reimplantada. No entanto, a jovem precisará de fisioterapia para recuperação total. Nos últimos dias, ela já estava consciente.

Detalhes do ataque

Além da amputação de uma das mãos e da lesão grave na outra, a vítima sofreu cortes profundos em ombro, perna e cotovelo. A cirurgia de reimplante durou cerca de 12 horas e envolveu aproximadamente 15 profissionais, incluindo equipes especializadas em microcirurgia e cirurgia da mão.

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O cirurgião de mãos e superintendente do IJF, João Gilberto Macêdo, explicou: “A paciente foi submetida a uma cirurgia de alta complexidade, onde foi reconstruída a parte óssea, tendões extensores e flexores, nervos periféricos, enfim. Foram reconstruídas todas as estruturas, tanto do membro superior direito quanto do esquerdo.”

Os agressores

O ex-companheiro de Ana Clara, Ronivaldo Rocha dos Santos, de 40 anos, e seu irmão, Evangelista Rocha dos Santos, responsável pelos golpes, estão presos desde o crime. Eles foram transferidos para um presídio em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza. Evangelista teria golpeado Ana Clara com uma foice a pedido de Ronivaldo, após uma discussão na madrugada do dia 1º.

Em depoimento à polícia, os irmãos alegaram que a motivação do crime seriam supostas transferências bancárias que Ana Clara estaria fazendo da conta de Ronivaldo para a dela. Ronivaldo e Ana Clara teriam discutido após ingerir bebida alcoólica, e a briga evoluiu para o ataque. Câmeras de segurança registraram a discussão e os momentos do crime.

Cronologia do crime

  • 00h33: Câmeras flagram o casal brigando na rua; Ana Clara diz que Ronivaldo não ficaria na casa dela, enquanto ele a chama de “ladrona”.
  • 00h37: Ronivaldo corre atrás da mulher e grita “tu vai me pagar” e “eu vou te matar”.
  • 00h57: Os irmãos retornam à casa de Ana Clara em uma caminhonete.
  • 00h58: Evangelista escala o muro da residência.
  • 01h00: Evangelista discute com Ana Clara, que chora e diz: “ele pode beber, eu não posso beber”.
  • 01h01: Ronivaldo ordena: “Pode matar ela, pode matar”. Ouvem-se pancadas e gritos.
  • 01h02: Ronivaldo chama pelo irmão e pergunta: “Evangelista, tu matou? Não era pra ter feito isso, não. Tu matou? Acabou com nossa vida”. Evangelista sai e diz: “Já era, acabou. Vamos embora”.
  • 01h03: Evangelista entrega a foice e diz “foi tu quem mandou”.
  • 01h04: Os dois deixam a casa, seis minutos após chegarem.

Depoimentos dos irmãos

Evangelista confessou o crime e deu detalhes. Disse que estava em casa quando Ronivaldo ligou pedindo que o acompanhasse até a casa de Ana Clara para “conversar”. Evangelista levou a foice por conta própria, afirmando que “já estava na maldade”. Ao chegar, pulou o muro enquanto Ronivaldo gritava que a namorada havia quebrado o vidro do carro e que ela iria “pagar”. Evangelista disse que os gritos do irmão o influenciaram a atacar a vítima, atingindo-a primeiro no braço e depois em outros membros. Ele só parou porque achou que ela tinha morrido.

Ronivaldo, por sua vez, afirmou que a discussão foi por causa de transferências bancárias, mas disse não se lembrar da maior parte do ocorrido devido ao álcool. Negou ter combinado previamente a mutilação e não lembrou de ter gritado “pode matar ela”, apesar das imagens. Ele também não se recorda da conversa com o irmão na volta para casa.

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Antecedentes

Ronivaldo já possuía antecedentes criminais por lesão corporal e ameaça no contexto de violência doméstica, além de crimes contra a economia popular (agiotagem) e porte ilegal de arma de fogo. Evangelista não tinha antecedentes. O relacionamento de Ronivaldo e Ana Clara durava cerca de dois anos, e testemunhas relataram que era conturbado, com episódios anteriores de violência doméstica.