Comerciante cobre carro com avisos após estacionamento em vaga exclusiva em Goiânia
Carro coberto com avisos após estacionar em vaga exclusiva em Goiânia

Conflito por vaga de estacionamento em Goiânia gera polêmica nas redes sociais

Um incidente envolvendo uma vaga de estacionamento exclusiva em Goiânia tem gerado ampla discussão nas redes sociais e na comunidade local. Uma jovem motorista de 20 anos, que trabalha como assistente de vendas no Setor Bueno, teve seu carro completamente coberto por cerca de 50 folhas de papel A4 após estacionar em frente a uma loja de calçados na sexta-feira (20).

Reação da comerciante e falta de desculpas

Segundo relato da motorista ao g1, que preferiu não se identificar, ela foi à loja no dia seguinte ao ocorrido e encontrou a proprietária do estabelecimento. A comerciante admitiu ter colado os papéis no veículo e concordou em retirá-los, mas não pediu desculpas pela ação. "Ela não se desculpou. O que me deixou mais chateada em relação a isso foi, primeiro, ela não ter se desculpado pela situação, principalmente por ela ser a dona do local", afirmou a jovem.

A motorista descreveu que, ao entrar na loja e solicitar que quem tivesse feito aquilo desfizesse o ato, a comerciante respondeu com um indiferente "ah, é somente isso?" e começou a remover os papéis junto com a gerente da loja. A proprietária se recusou a dar entrevista ao g1, conforme informado por uma funcionária.

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Vídeo viraliza e divide opiniões na internet

O caso ganhou repercussão após um vídeo feito por Makley Claudino, corretor de imóveis de 38 anos que passava pelo local, viralizar nas redes sociais. Até quarta-feira (25), a publicação em seu perfil do Instagram já acumulava quase 26 mil visualizações. No vídeo, Claudino filmou o carro coberto de papéis e comentou, em tom bem-humorado: "Nós, de Goiânia, somos gente boa, mas não pisa no calo que é problema!".

Nas redes sociais, a atitude da comerciante tem dividido opiniões. Enquanto muitos apoiaram a ação, argumentando que o carro ficou estacionado por muitas horas no local, outros criticaram a reação como desproporcional e questionaram a exclusividade da vaga. A motorista avalia que a resposta foi exagerada, citando como exemplo uma ocasião anterior em que outro proprietário deixou apenas um bilhete educado em seu carro.

Processo judicial por danos morais

Em razão do constrangimento e da exposição pública, a assistente de vendas afirmou que pretende processar a proprietária por danos morais. Ela relatou que, enquanto aguardava a chegada do namorado na calçada, foi alvo de piadas entre transeuntes. "Várias pessoas que passavam na rua ficavam rindo do carro, tiravam foto... Foi uma situação muito constrangedora e eu fui exposta", desabafou.

A motorista já registrou boletim de ocorrência na delegacia na terça-feira (24). Como os papéis foram grudados com fita adesiva, o veículo foi levado a uma oficina e a um lava-jato para avaliação de possíveis danos na pintura.

O que diz a legislação sobre vagas exclusivas

Em entrevista à TV Anhanguera, Eduardo Mariano, gerente de fiscalização da Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito (SET) de Goiânia, explicou a situação legal. Quando um estabelecimento recua seu lote – ou seja, deixa de construir naquele espaço, como é o caso da loja de calçados – o proprietário ou locatário pode restringir as vagas para seus clientes. No entanto, não cabe ao poder público aplicar multas para quem não estiver consumindo e parar o veículo no local.

"Isso é um estabelecimento privado. A SET não tem competência para autuar, notificar e nem remover nenhum veículo, por exemplo, de quem não seja cliente da loja", esclareceu Mariano. Ele acrescentou que a Resolução 965/2022 do Contran regulamentou o tema, afirmando que a via pública não pode ser objeto de restrição de estacionamento privado. Vale ressaltar que essa regra se aplica apenas a recuos, não às calçadas, que são públicas e destinadas aos pedestres.

O caso continua a gerar debates sobre os limites da propriedade privada em espaços públicos e as formas adequadas de resolver conflitos urbanos no cotidiano das cidades brasileiras.

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