Um arrastão rápido e violento, registrado por câmeras de segurança no último domingo (4), tornou-se o símbolo do medo que toma conta da Vila Prudente, na Zona Leste de São Paulo. Em poucos segundos, por volta das 20h, dois criminosos em uma moto roubaram cinco pessoas na Rua José Gonçalves Galeão, na Vila Alpina.
O arrastão e o trauma das vítimas
Enquanto um dos assaltantes levava os celulares de um grupo de amigos, o outro atacava um casal e furtava seus pertences. O ataque, ocorrido no início de janeiro de 2026, deixou para além dos prejuízos materiais, um rastro de trauma. A comerciante Flávia Constantino Nacca, mãe de uma das vítimas, destacou que os jovens não reagiram, mas mesmo assim foram submetidos a uma abordagem violenta. "O pior de tudo é o trauma que fica", disse ela à TV Globo.
O sentimento de insegurança é tão grande que mudou os planos de famílias inteiras. O aposentado Carlos Perez, de 80 anos, revelou que a filha, após o susto, perguntou: "Pai, vamos embora daqui?". Ele relata a dificuldade de se adaptar e a pressão do filho para que se mude para um apartamento, mas ressalta a resistência em deixar o local.
Dados alarmantes em cinco ruas da região
O episódio não é isolado. Um levantamento realizado pela TV Globo aponta que, apenas em cinco vias do bairro, foram registrados 90 casos de roubos e furtos. A Rua José Gonçalves Galeão, palco do último arrastão, concentrou 17 ocorrências entre janeiro e novembro de 2025, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública.
Contudo, a via mais crítica é a Avenida Francisco Falconi, com 45 registros no mesmo período. Completam a lista preocupante a Rua Mário Augusto do Carmo (15 casos), a Rua Giovani Pattoli (9 casos) e a Rua José do Passo Bruques (4 casos).
Aumento local contrasta com queda na capital
Os números do 56º Distrito Policial (DP), o Vila Alpina, que atende a região, confirmam a tendência de alta. De janeiro a novembro de 2025, houve 768 registros de roubo, um aumento de 9,2% em relação aos 703 casos do mesmo período de 2024. Os furtos também cresceram significativamente: saltaram de 1.770 para 1.987 ocorrências, uma alta de 12,2%.
Este cenário local vai na contramão dos dados gerais da capital paulista, que registrou uma redução nos casos de roubos e furtos nos primeiros onze meses de 2025 na comparação com 2024.
Medo constante e padrão de ação dos criminosos
Para quem vive ou trabalha no bairro, a apreensão é uma companhia diária. A promotora de vendas Rita de Cássia Damasceno Rocha já foi vítima duas vezes: "Uma dentro do ônibus e outra no ponto. Não tem polícia. É celular, é tudo... É pneu de carro. Só Deus pra ajudar a gente".
A auxiliar de limpeza Cláudia Artemis, que trabalha à noite, descreve o modus operandi comum: "Muitos casos de assalto em pontos de ônibus. Na subida da [Avenida] Francisco Falconi estão vendo as casas e abordando na porta de casa."
Até mesmo quem escolheu a região pela sensação de segurança inicial se vê assustado. Os empresários Victor Areas e Milena Leite, recém-chegados à cidade, se basearam em tabelas de criminalidade que mostravam números baixos na Vila Prudente. "Isso já mudou bastante", afirmou Victor. Milena complementa: "A sensação de insegurança é grande. No grupo do condomínio, todo mundo compartilha vídeos e a gente evita sair a pé."
O que diz a polícia
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que houve reforço do policiamento nas áreas de maior incidência da Vila Prudente. A pasta também destacou que, entre janeiro e novembro de 2025, 2.957 infratores foram presos e apreendidos na área de abrangência das delegacias da Zona Leste.
A SSP afirmou ainda que houve uma redução de 15 casos de roubos em geral na área atendida pela 5ª Delegacia Seccional, na comparação com o ano de 2024.