Novo protesto em Cidade Tiradentes exige justiça por morte de mulher em ação policial
Moradores de Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo, realizaram um novo protesto na tarde desta segunda-feira (6), bloqueando parcialmente a Rua Edimundo Audran. A manifestação foi motivada pela morte de Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, atingida por um disparo de arma de fogo durante uma intervenção policial na madrugada de sexta-feira (3).
Os manifestantes carregavam cartazes com os dizeres "Queremos uma resposta" e "Justiça por Thawanna", enquanto clamavam por esclarecimentos sobre o caso. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que a Polícia Militar acompanhava a mobilização de forma preventiva, para garantir a segurança dos moradores e a fluidez do trânsito.
Versões conflitantes sobre os momentos que antecederam o disparo
De acordo com o boletim de ocorrência, policiais afirmaram que faziam patrulhamento quando avistaram um casal andando com os braços entrelaçados no meio da rua. O homem teria esbarrado no retrovisor da viatura, o que fez a equipe retornar para checar a situação. Na versão da PM, o casal reagiu, houve discussão e Thawanna teria partido para cima de uma policial militar, iniciando um confronto físico.
A policial relatou ter sido agredida com tapas antes do disparo. No entanto, o companheiro da vítima, Luciano Gonçalves dos Santos, apresentou uma narrativa completamente diferente. Ele afirmou que a viatura passou em alta velocidade e quase atingiu o casal, o que gerou uma reação da esposa.
Segundo Luciano, uma policial desceu da viatura e atirou em direção a Thawanna. Ele tentou mostrar que não oferecia risco, mas a equipe usou spray de pimenta. Luciano insiste que sua companheira não apresentava comportamento agressivo.
Imagens de segurança e consequências trágicas
Uma câmera de segurança registrou os últimos momentos de Thawanna da Silva Salmázio. Nas imagens, Thawanna e o marido aparecem caminhando e conversando, às 2h50, no meio da rua. Em seguida, uma viatura da Polícia Militar passa pelo local.
Cerca de 36 segundos depois, é possível ouvir uma discussão e o disparo que atingiu a vítima. Thawanna foi socorrida e encaminhada ao Hospital Municipal de Cidade Tiradentes, mas não resistiu aos ferimentos. Ela deixou um filho de 5 anos.
Policiais afastados e investigações em andamento
A policial Yasmin Cursino Ferreira, responsável pelo disparo, e os demais agentes envolvidos no caso foram afastados de suas funções, segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP). O caso está sendo investigado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).
A família da vítima afirma que a policial não realizou nenhuma abordagem e atirou diretamente. Já a PM mantém que Thawanna teria partido para cima da equipe. A morte de Thawanna desencadeou uma série de protestos de moradores do bairro em razão da violência da Polícia Militar.
Testemunhas reforçam versão da família
Uma testemunha, que preferiu não se identificar, disse que a viatura foi jogada contra o casal de propósito. Em reação, Thawanna teria questionado: "Vai atropelar?" Segundo o relato, os policiais deram ré, e Yasmin desceu da viatura, xingando a vítima e iniciando uma discussão.
"A policial feminina deu um murro e um chute nas partes íntimas. Na reação, ela deu um tapa na mão da policial. Foi quando a agente se afastou e efetuou o disparo", relatou a testemunha.
Compromisso da SSP com a apuração rigorosa
Em nota oficial, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo reforçou que a ocorrência foi registrada no 49º Distrito Policial e encaminhada ao DHPP, que conduz investigação independente sobre os fatos. Os policiais envolvidos foram afastados e a PM que realizou o disparo teve a arma apreendida.
O caso também é alvo de Inquérito Policial Militar (IPM), onde são apuradas as oitivas de outros agentes que foram acionados para prestarem apoio. As circunstâncias são investigadas com prioridade absoluta pelas polícias Civil e Militar, com acompanhamento das respectivas corregedorias.
As investigações incluem a oitiva de testemunhas, análise de imagens captadas por câmeras corporais e a elaboração de laudos periciais. A SSP reafirmou seu compromisso com a legalidade, a transparência e a proteção da vida, garantindo que toda irregularidade será rigorosamente apurada e punida nas esferas administrativa e criminal.



