Policial militar é preso por duplo homicídio de mulheres em Cariacica, Espírito Santo
O cabo da Polícia Militar Luiz Gustavo Xavier do Vale está preso preventivamente após ser acusado de matar duas mulheres a tiros no meio da rua, em Cariacica, na Grande Vitória, no dia 8 de abril. As vítimas são Daniele Toneto, de 45 anos, e Francisca Chaguiana Dias Viana, de 31 anos, ambas residentes no bairro Cruzeiro do Sul. A prisão em flagrante foi convertida em preventiva durante audiência de custódia realizada na quinta-feira (9), com o juiz Getúlio Marcos Pereira Neves destacando que a conduta do militar afronta a ordem pública e compromete princípios da corporação.
Motivação do crime e imagens chocantes
De acordo com testemunhas, o crime foi motivado por uma desavença entre as vítimas e a ex-esposa do policial, que moravam no mesmo prédio. A discussão teria começado por causa de um ar-condicionado, com as vítimas mencionando o filho que a ex-companheira tem com o agente. Isso levou a ex-esposa a acionar o militar, que foi ao local acompanhado de colegas de trabalho. Imagens de câmeras de segurança registram o momento em que duas viaturas chegam ao endereço e o cabo desce para disparar contra as mulheres, cenas que agora integram as investigações.
Histórico de violência e afastamento anterior
O policial já acumula um passado preocupante de denúncias. Em 2022, ele foi investigado pela morte de uma mulher trans conhecida como Lara Croft, em Cariacica, onde testemunhas alegam execução, enquanto a PM afirmou que a vítima reagiu com violência. Além disso, há registros de agressão em uma boate em março de 2020, onde o cabo causou fraturas no maxilar de um homem, e suspeita de balear outro indivíduo em abril do mesmo ano, caso em que foi absolvido pela Justiça Militar, mas cabe recurso. Devido a esses incidentes, Luiz Gustavo estava afastado das atividades nas ruas desde 2022.
Detalhes da prisão e responsabilização
Após o crime, o policial retirou o colete e entregou a arma, sendo autuado por duplo homicídio qualificado. Ele está detido no Quartel da Polícia Militar em Maruípe, Vitória, sem previsão de liberação. A Polícia Militar informou que o cabo atuava como guarda em Itacibá e saiu do trabalho durante o expediente para cometer os assassinatos, mas não esclareceu se houve autorização para isso. Na Justiça comum, ele responde pelos homicídios, enquanto na Justiça Militar, será investigado por abandono de posto e uso de viatura.
Investigação sobre colegas e próximos passos
A investigação também examina a possível responsabilização de outros policiais que acompanharam o suspeito e não impediram os disparos. A PM não informou quantos são ou se foram afastados, afirmando apenas que serão ouvidos no inquérito. Especialistas, como o professor Henrique Herkenhoff, argumentam que esses colegas também podem responder pelos crimes, pois não deveriam ter seguido o militar. O comandante-geral da PM-ES, coronel Ríodo Rubim, garantiu que o caso está sendo conduzido com rigor, com coleta de provas e novos depoimentos em andamento.
O Ministério Público já denunciou o policial, e a Justiça aceitou a denúncia, o que pode levá-lo a julgamento. Familiares das vítimas, como a irmã de uma das mulheres, descrevem o agente como "um psicopata" que não deveria estar armado ou nas ruas. O caso continua sob investigação, com a comunidade e autoridades acompanhando de perto os desdobramentos.



