Homem é baleado por policial militar de folga após discussão no trânsito em Petrópolis
Um homem de 25 anos foi baleado na noite de sexta-feira, dia 10, após um desentendimento de trânsito ocorrido na Rua Monsenhor Bacelar, no Centro de Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro. O autor dos disparos é um policial militar que atua no batalhão de Magé e estava de folga no momento do incidente, conforme informações divulgadas pela Polícia Militar.
Versão da Polícia Militar sobre o ocorrido
Segundo relatos oficiais da Polícia Militar, após uma discussão no trânsito, a vítima teria parado o carro à frente do veículo do agente e desembarcado. O policial afirmou que atirou ao perceber que o homem fez menção de sacar um objeto escuro da região das costas, o que levantou suspeitas de uma possível ameaça.
Imagens divulgadas pela PM mostram o momento em que o motorista deixa o carro, caminha em direção ao veículo do policial e, no meio do trajeto, leva a mão até o abdômen. Em seguida, ele retorna ao automóvel e sai do local rapidamente. A vítima seguiu até a UPA Centro em busca de socorro médico imediato e, devido à gravidade dos ferimentos, foi transferida para o Hospital Municipal Alcides Carneiro, onde passou por cirurgia de emergência.
De acordo com a prefeitura de Petrópolis, o estado de saúde do homem é considerado grave, porém estável após a intervenção cirúrgica. Dentro do carro da vítima, a polícia militar encontrou uma arma de choque, conhecida como taser, que foi apreendida para análise no contexto da investigação.
Relato da esposa da vítima contradiz versão policial
A esposa do motorista baleado, que estava no carro com o filho de nove meses no momento do incidente, apresenta uma versão completamente diferente dos fatos. Ela afirma que o casal seguia para a UPA, onde o bebê aguardava resultado de exames médicos, quando houve um desentendimento com outro motorista.
Segundo o relato detalhado da mulher, após uma troca de palavras, o policial teria passado a seguir o veículo da família de forma persistente, realizando manobras agressivas e intimidatórias no trânsito. Ainda de acordo com seu depoimento, o marido parou o carro próximo à unidade de saúde e desceu para tentar entender a situação, momento em que foi atingido por três disparos efetuados pelo agente.
“Ele voltou para o carro mancando, sentou no banco e disse: ‘meu amor, eu levei um tiro’. Na hora, eu fiquei em choque, sem acreditar no que estava acontecendo,” relata a esposa, visivelmente abalada pelo ocorrido. Ela nega veementemente que o companheiro tenha feito qualquer ameaça ou gesto que justificasse a ação do policial e afirma que ele estava com limitações físicas significativas devido a problemas sérios na coluna.
“Meu marido está com um problema sério na coluna. Ela travou em casa, ele precisou ir ao hospital tomar injeção e vinha fazendo tratamento com medicação. Por causa disso, ele anda curvado, com a mão na região do cóccix. Quando desceu do carro, estava com dificuldade, e perguntou: ‘moço, o que está acontecendo?’. Ele não chegou perto do outro veículo, ainda estava na parte de trás do nosso carro quando o homem começou a atirar nele,” detalhou a mulher em entrevista.
Investigação em andamento e apreensões realizadas
O caso foi registrado na 105ª Delegacia de Polícia, localizada no bairro do Retiro, e está sendo investigado minuciosamente pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. As autoridades vão analisar imagens de câmeras de segurança, depoimentos das partes envolvidas e outros elementos forenses para esclarecer completamente as circunstâncias do ocorrido.
Com o policial militar envolvido no incidente, foram apreendidos uma pistola calibre 9mm, carregadores e munições, que estão sob custódia para perícia. O agente foi ouvido pelas autoridades policiais e liberado após prestar esclarecimentos, sendo atualmente investigado por lesão corporal grave, crime que pode acarretar consequências legais significativas.
A comunidade de Petrópolis acompanha com atenção o desenrolar das investigações, que prometem trazer mais luz sobre este episódio de violência no trânsito que chocou a região serrana fluminense.



