CPI do Crime Organizado ouve Galípolo sobre caso Master e reunião com Lula
Galípolo na CPI sobre caso Master e reunião com Lula

CPI do Crime Organizado interroga presidente do BC sobre caso Master

Na penúltima semana de trabalhos, a Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado realizou nesta quarta-feira (8) uma sessão crucial com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. A audiência, que durou menos de duas horas, concentrou-se nas investigações sobre o Banco Master e suas relações com o poder público.

Reunião no Planalto e orientação presidencial

Galípolo revelou detalhes sobre um encontro ocorrido em dezembro de 2024 no Palácio do Planalto, que contou com a presença do presidente Lula e do dono do Master, Daniel Vorcaro. Na época, o Senado já havia aprovado sua indicação para comandar o Banco Central, cargo que assumiria em janeiro de 2025.

Segundo o depoimento, Vorcaro fez críticas ao mercado financeiro durante a reunião, ao que Lula respondeu que o assunto era de competência do Banco Central. "Foi exatamente a resposta que o presidente Lula deu no momento: 'O Galípolo vai assumir daqui a um mês o Banco Central. Esse é um tema que não cabe à Presidência da República, cabe ao Banco Central. E lá dentro do Banco Central, eu tenho certeza de que você vai ser tratado da maneira técnica e a análise vai ser técnica'", afirmou Galípolo.

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Questionamentos sobre autonomia e atuação técnica

O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), questionou se Galípolo recebeu orientações específicas após a reunião. O presidente do BC foi enfático: "Recebi. Sempre assim: 'Olha, seja técnico, o mais técnico possível. Você tem toda a autonomia nesse processo para você perseguir seja quem for, investigar seja quem for, mas também não faça nenhum tipo de pirotecnia'. A orientação sempre foi essa: 'Não proteja ninguém, não persiga ninguém. Faça o trabalho técnico, você tem toda a autonomia, não importa quem seja, doa a quem doer, vá até o final desse processo'".

Cronologia do caso Master

Galípolo detalhou a trajetória do Banco Master desde sua posse:

  • Em setembro de 2025, o Banco Central negou a compra do Master pelo Banco de Brasília
  • Dois meses depois, em novembro, decretou a liquidação da instituição
  • O processo ocorreu durante sua gestão, mas as primeiras suspeitas sobre o Master surgiram entre 2019 e 2024

Ausência de Campos Neto e defesa da gestão anterior

O ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, era esperado na comissão mas faltou pela terceira vez consecutiva. Por decisão do Supremo Tribunal Federal, sua convocação foi transformada em convite, sem obrigatoriedade de comparecimento.

Questionado sobre a atuação de Campos Neto no caso, Galípolo foi categórico: "Não há em nenhum processo de auditoria ou de sindicância nada que encontre qualquer culpa por parte do ex-presidente Roberto Campos".

Contratos com escritório ligado a ministro do STF

Um dos pontos mais sensíveis da audiência envolveu o escritório Barci de Moraes, de Viviane Barci, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Documentos em posse da CPI mostram que o escritório recebeu R$ 80 milhões do Banco Master em 2024 e 2025.

Esse valor corresponderia a parte do pagamento por um contrato revelado pelo jornal "O Globo", no valor de mais de R$ 3,5 milhões mensais por três anos, totalizando R$ 129 milhões. Em março, o escritório explicou os serviços prestados:

  • Contratação entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025
  • Equipe de 15 advogados realizando consultoria jurídica ampla
  • 94 reuniões de trabalho, sendo 79 presenciais na sede do Master
  • Produção de 36 pareceres sobre temas diversos
  • Elaboração da política de relacionamento com o poder público
  • Implementação do novo código de ética do banco

Em nota divulgada nesta quarta-feira, o escritório Barci de Moraes afirmou que "não confirma as informações incorretas e vazadas ilicitamente, lembrando que todos os dados fiscais são sigilosos".

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Negativa sobre diálogos com ministros do STF

Galípolo foi questionado especificamente se discutiu o caso Master com o ministro Alexandre de Moraes. Sua resposta foi negativa: "Não. O que eu acho que vale a pena a gente fazer é uma explicação aqui... De todas as crises que a gente teve ao longo de 2025, talvez a mais complexa, do ponto de vista sistêmico, foi a relativa à Magnitsky".

O presidente do BC explicou que eventuais conversas com ministros do Supremo giraram em torno das sanções impostas pelo governo americano com a Lei Magnitsky em 2025, envolvendo questões de sigilo bancário e financeiro que exigem discrição.

Encerramento iminente da CPI

A CPI do Crime Organizado deve terminar seus trabalhos no dia 14 de abril, conforme calendário estabelecido. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), negou o pedido de prorrogação da comissão.

A expectativa agora é que o colegiado se reúna na próxima semana para leitura e votação do relatório final, que promete trazer conclusões importantes sobre as investigações relacionadas ao Banco Master e suas conexões políticas.