Vítima de feminicídio é sepultada em Volta Redonda após 55 dias de luta pela vida
Vítima de feminicídio sepultada em Volta Redonda após 55 dias

Vítima de feminicídio é sepultada em Volta Redonda após longa batalha pela sobrevivência

O corpo de Daiane Menezes dos Santos Reis, de 36 anos, vítima de feminicídio, foi sepultado na manhã desta quarta-feira (18) em Volta Redonda, no Rio de Janeiro. A cerimônia ocorreu no Portal da Saudade, após um velório emocionante que reuniu familiares e amigos da mulher que lutou por 55 dias após ser atingida por seis disparos em janeiro deste ano.

Pedidos por justiça marcam cerimônia fúnebre

Durante o velório, os presentes usavam camisetas com a frase "Não foi surpresa, foi negligência", em um claro apelo por responsabilização no caso. A cunhada da vítima, Bionda Vigorito, compartilhou momentos de despedida: "Eu peguei na mão da minha cunhada na segunda-feira depois de ter ouvido que já não tinha mais nada o que fazer. E mesmo com o meu coração partido, eu falei: Tá tudo bem, Daiane, a gente não precisa ser forte o tempo todo".

Falhas no sistema de proteção à mulher

O caso revela graves deficiências no sistema de combate à violência doméstica. De acordo com informações da delegacia, já existiam três registros de descumprimento de medida protetiva contra o suspeito, que é ex-marido da vítima e policial militar em São Paulo. Ele chegou a ser preso em julho de 2025, mas foi liberado em novembro do mesmo ano após Daiane se retratar durante uma audiência.

A advogada da família, Daniela Gregio, explicou a trágica decisão: "Ele foi solto porque ela se retratou na audiência, ela não queria prejudicar o ex-marido e achou que ele poderia mudar. Ele foi solto, porque infelizmente, ela se retratou".

Autoridades se manifestam sobre o caso

A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Volta Redonda emitiu uma nota oficial expressando solidariedade à família e reforçando a gravidade do crime. A delegada responsável, Juliana Montes, afirmou: "O feminicídio é o ápice da violência patriarcal e machista que é exercido sob os corpos das mulheres. O procedimento foi editado de tentativa para feminicídio consumado".

A Polícia Militar de São Paulo, onde o suspeito atuava, também se pronunciou, informando que abriu um procedimento administrativo e que o agente está detido no Presídio Militar Romão Gomes (PMRG). Em nota, a corporação afirmou: "A Polícia Militar de São Paulo reforça que não compactua com desvios de conduta, acompanha as investigações e instaurou procedimento no âmbito administrativo".

Apelo por denúncias e combate à violência

A DEAM-VR utilizou a nota para fazer um apelo público: "Nenhuma mulher deve sofrer em silêncio. A DEAM-VR deixa uma mensagem de acolhimento e encorajamento a todas as mulheres que estejam vivenciando qualquer forma de violência: procurem ajuda. Nossa unidade está de portas abertas para acolher, orientar e agir. Denunciar é um ato de coragem e pode salvar vidas".

O caso de Daiane se soma a outros episódios de violência contra mulheres em Volta Redonda, reforçando a necessidade de políticas públicas mais eficazes e de uma mudança cultural no enfrentamento à violência de gênero. A vítima deixa dois filhos e uma família devastada pela perda precoce.