UFPI inaugura Sala Lilás após denúncias de assédio e violência contra mulheres em evento
UFPI inaugura Sala Lilás após denúncias de assédio em evento

UFPI inaugura Sala Lilás após denúncias de assédio e violência contra mulheres em evento

Estudantes do curso de Serviço Social e uma trabalhadora terceirizada da Universidade Federal do Piauí (UFPI), em Teresina, denunciaram ter sido vítimas de desrespeito, assédio e violência durante um evento realizado no Centro de Ciências Humanas e Letras (CCHL), na terça-feira, 17 de março de 2026. Uma das estudantes, que optou por não se identificar, registrou a ocorrência na Polícia Civil, que já iniciou as investigações sobre o caso. O suspeito, um indivíduo estranho à instituição, não teve seu nome divulgado pelas autoridades.

Relatos detalhados das agressões

Em depoimento ao g1, a estudante descreveu que o suspeito começou a gritar com uma amiga dela durante o evento. "Eu havia saído do auditório para buscar um microfone. Quando voltei, o homem já estava falando em um tom muito elevado com a minha amiga lá em cima do palco. Enquanto ele falava, ele já triscava nela, colocava a mão no ombro dela. Então fui perguntar o que estava acontecendo", contou. Ao ser questionado, o homem teria colocado a mão no pescoço da estudante e começado a gritar com ela também.

"Ele foi descendo a mão pelo meu braço e eu gelei, porque era um homem mais velho e desconhecido que estava tocando meu corpo sem permissão. Reclamei e ele começou a gritar comigo, perguntando por que não podia me tocar, sendo que estava tocando na minha amiga e ela não falou nada, que eu era ignorante e que as coisas belas deviam ser tocadas", relatou a vítima. Um vídeo feito por pessoas presentes no local mostra o suspeito andando pelo palco e dizendo: “Não pode tocar na belezura, vai para lá! Eu detesto gente intransigente. Sou artista e aprendi a viver em contato com as pessoas. Não pode tocar na pessoa, isso é uma loucura”.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Funcionária terceirizada também é agredida verbalmente

Segundo a estudante, após o incidente no palco, o homem deixou o auditório e procurou uma funcionária terceirizada para solicitar um técnico de som. Ao ser informado de que não havia técnico disponível, teria começado a gritar com a trabalhadora. "Ele começou a gritar muito com ela, falar que ela era uma desqualificada, que não era uma profissional e digna de estar ali", contou a estudante. Após esse momento, o suspeito retornou ao local e seguranças foram acionados. "O evento continuou com ele. Ontem, elas (diretoras) informaram que também estavam se sentindo acuadas e por isso não retiraram", afirmou a estudante, que expressou receio de voltar a frequentar a instituição.

Nota oficial do CCHL e medidas institucionais

Em nota, o Centro de Ciências Humanas e Letras (CCHL), o Departamento de Serviço Social (DSS) e a Coordenação do Curso de Serviço Social (CCSS) da UFPI manifestaram solidariedade às vítimas e repudiaram veementemente as agressões. As entidades destacaram que professoras também foram alvo das agressões e listaram as medidas adotadas:

  • Acionamento da Sala Lilás para acolhimento especializado e orientação sobre encaminhamentos legais;
  • Direcionamento das vítimas à Casa da Mulher Brasileira para registro de Boletim de Ocorrência;
  • Comunicação formal à empresa terceirizada para garantir suporte psicológico à trabalhadora envolvida;
  • Reforço das ações de segurança no CCHL, em articulação com setores competentes da UFPI;
  • Promoção de diálogo com a comunidade acadêmica para enfrentamento das violências de gênero.

Posicionamento da UFPI e compromisso institucional

A Universidade Federal do Piauí emitiu nota declarando política de tolerância zero a qualquer forma de violência, assédio ou intimidação em seus espaços. "Não há relativização possível. Não há condescendência. Qualquer conduta que viole a dignidade da pessoa humana será enfrentada com rigor institucional, responsabilização e medidas concretas de proteção", afirmou a instituição. A UFPI informou que acompanha o caso de forma permanente e adotará todas as providências cabíveis, garantindo suporte às vítimas e reforçando a segurança no ambiente universitário.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Após o ocorrido, as vítimas foram encaminhadas para a Sala Lilás, um espaço dedicado ao acolhimento de mulheres em situação de violência, que foi inaugurado como parte das respostas institucionais. A universidade promoveu ainda um diálogo com a comunidade acadêmica no dia 18 de março, focando no enfrentamento das violências de gênero e na consolidação de uma cultura institucional de prevenção.