Trend 'Caso ela diga não' gera investigação da PGR por apologia à violência contra mulheres
Trend 'Caso ela diga não' vira caso de polícia por violência contra mulheres

Trend 'Caso ela diga não' estimula violência contra mulheres e vira caso de polícia

A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (10), um requerimento que solicita à Procuradoria Geral da República (PGR) a avaliação para abertura de uma investigação sobre os autores dos vídeos da trend "caso ela diga não". Os conteúdos, que viralizaram nas redes sociais, simulam violência contra mulheres em situações de rejeição a pedidos de namoro ou casamento.

Conteúdos preocupantes e ações parlamentares

Os vídeos da tendência mostram homens reagindo de forma agressiva quando uma mulher nega uma proposta romântica. As simulações incluem:

  • Uso de armas de fogo e facas
  • Execução de golpes de artes marciais
  • Socos em objetos e movimentos violentos

A indicação aprovada pelo colegiado é uma sugestão de ação à PGR, cabendo ao órgão a decisão final sobre as medidas a serem tomadas.

Medidas solicitadas na investigação

No pedido, o deputado Pedro Campos (PSB-PE), autor do requerimento, solicita:

  1. A instauração de inquérito para apurar condutas relacionadas à trend, identificando autores e avaliando crimes de apologia à violência contra a mulher
  2. A comunicação às plataformas de redes sociais (X, Instagram, TikTok, YouTube) para fornecimento de informações sobre alcance das publicações e dados de autoria
  3. O envio de recomendações a órgãos de segurança pública e entidades de defesa da mulher para monitoramento e prevenção desse tipo de conteúdo
  4. A adoção de providências judiciais para responsabilização dos envolvidos e remoção definitiva dos conteúdos ilícitos

Posicionamento do autor do requerimento

O deputado Pedro Campos afirmou que o objetivo do requerimento vai além de combater o feminicídio, buscando também "puxar a orelha" das redes sociais. "É algo absurdo, um incentivo e apologia à violência contra a mulher. Nós não podemos aceitar que seja tratado como piada homens simulando violência contra as mulheres", declarou Campos durante a sessão. "É uma conduta criminosa e não podemos permitir que esse tipo de incentivo de violência contra a mulher circule nas redes sociais como se isso fosse algo normal", completou o parlamentar.

Ações já em andamento

A Diretoria de Crimes Cibernéticos da Polícia Federal (PF) já derrubou perfis e abriu inquérito para investigar a trend "caso ela diga não". A informação foi confirmada à jornalista Julia Duailibi, com a corporação iniciando uma ofensiva para desarticular a propagação desses conteúdos que incitam a violência contra mulheres.

Remoção de conteúdos pelo TikTok

O TikTok removeu vídeos associados à trend "treinando caso ela diga não" após reportagens e o início da investigação da Polícia Federal. Pelo menos 20 posts mapeados foram retirados do ar após a plataforma solicitar links encontrados pela reportagem na segunda-feira (9).

Nos vídeos, os criadores simulavam situações de abordagem romântica, geralmente um pedido de namoro ou casamento, seguido pela frase "treinando caso ela diga não" ou variações semelhantes. Após a legenda, os autores encenavam reações agressivas diante da possibilidade de rejeição.

Procurada, a plataforma afirmou que os conteúdos violam as Diretrizes da Comunidade e foram removidos assim que identificados, mantendo os perfis no ar. "Não permitimos discurso de ódio, comportamento de ódio ou promoção de ideologias de ódio", declarou o TikTok em nota.

A votação do requerimento na comissão foi simbólica, com os parlamentares chegando a um acordo sobre a necessidade de combater essa forma de apologia à violência contra as mulheres que ganhou espaço nas redes sociais.