Senado aprova tornozeleira eletrônica obrigatória para agressores de mulheres em alto risco
Tornozeleira eletrônica obrigatória para agressores aprovada no Senado

Senado aprova tornozeleira eletrônica obrigatória para agressores de mulheres em situações de alto risco

O Senado Federal aprovou, nesta quarta-feira (17), o Projeto de Lei (PL) nº 2942/2024, que estabelece o uso imediato de tornozeleira eletrônica pelo agressor de mulheres em situação de violência doméstica e familiar, quando verificado alto risco à vida delas. A medida visa ampliar a proteção às vítimas e aperfeiçoar a legislação vigente.

Autoria e tramitação

De autoria dos deputados Fernanda Melchionna (PSol-RS) e Marcos Tavares (PDT-RJ), o projeto foi relatado pela senadora Leila Barros (PDT-DF) e aprovado sem mudanças pelo Senado. Agora, a proposta segue para a sanção da Presidência da República, podendo se tornar lei em breve.

Monitoramento em tempo real e alertas automáticos

A senadora Leila Barros explicou que o projeto garante a aplicação imediata do monitoramento eletrônico como medida protetiva de urgência. "Somada ao afastamento do agressor do convívio com a vítima, a tornozeleira amplia a proteção às mulheres, permitindo inclusive o acompanhamento em tempo real do agressor por um dispositivo que emite um alerta, em caso de aproximação", destacou a parlamentar.

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O texto também torna permanente o programa de monitoramento eletrônico e de acompanhamento de mulheres em situação de violência, fortalecendo a Lei Maria da Penha (nº 11.340/2006).

Critérios para imposição da tornozeleira

Pelo projeto de lei, a imposição imediata do uso da tornozeleira passa a ser regra em casos de alto risco de agressões graves às mulheres. O risco avaliado deve ser atual ou iminente à vida ou à integridade física ou psicológica da mulher ou de seus dependentes.

Além disso, a imposição será prioridade nos casos de descumprimento de medidas protetivas anteriormente impostas. Se o juiz decidir que a tornozeleira não deve ser mais usada, deverá justificar expressamente os motivos.

Dispositivo de rastreamento para vítimas

O projeto determina que, nas situações de uso da tornozeleira pelo agressor, deve ser entregue à mulher vítima um dispositivo portátil de rastreamento que alerte sobre eventual aproximação do agressor. O aparelho emitirá um alerta automático e simultâneo para vítima e polícia, logo que o agressor romper a área de trânsito proibido, fixada judicialmente.

Aumento de penas e recursos financeiros

A proposta aumenta a punição para agressores que se aproximem da vítima ou removam a tornozeleira sem autorização judicial. Atualmente, a pena de reclusão varia de 2 a 5 anos, mais multa; com o projeto, os agravantes aumentam a pena de um terço à metade do tempo de reclusão.

O projeto também eleva de 5% para 6% a cota de recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) destinada ao combate à violência contra a mulher. Esses recursos serão prioritariamente usados na compra e manutenção de tornozeleiras eletrônicas e dispositivos de alerta.

Aplicação em cidades pequenas

Em municípios sem comarca, onde não há juiz de plantão, o uso da tornozeleira poderá ser determinado pelo delegado de polícia local. O delegado deverá comunicar à Justiça em até 24 horas, e o juiz decidirá sobre a manutenção da medida.

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que, em 2024, 50% dos feminicídios ocorreram em cidades com até 100 mil habitantes, destacando a importância dessa adaptação.

Estatísticas alarmantes da violência doméstica

A senadora Leila Barros classificou a violência doméstica como "uma verdadeira epidemia". Segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2024, 966.785 novos casos de violência doméstica contra mulheres foram analisados pela Justiça, com 582.105 medidas protetivas concedidas.

O relatório Retrato dos Feminicídios no Brasil 2006-2026 do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que, em 2025, houve 1.568 vítimas de feminicídio no Brasil, um crescimento de 4,7% em relação a 2024 e 14,5% desde 2021. Em 2024, 13,1% das vítimas foram assassinadas mesmo com medida protetiva em vigor.

Como denunciar e buscar ajuda

É possível pedir ajuda e denunciar casos de violência doméstica através de vários canais:

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  • Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180: serviço gratuito 24 horas por dia, todos os dias da semana.
  • WhatsApp: (61) 9610-0180 e e-mail: central180@mulheres.gov.br.
  • Delegacias especializadas de atendimento à mulher (Deam), delegacias comuns e Casas da Mulher Brasileira.
  • Disque 100 para violações de direitos humanos e 190 para a Polícia Militar.

Essas iniciativas buscam fortalecer a rede de proteção e reduzir os índices de violência contra as mulheres no Brasil.