Jovem sobrevive a tentativa de feminicídio após ex-companheiro tentar degolá-la no Acre
Uma adolescente de 16 anos sobreviveu a uma tentativa de feminicídio após ser atacada pelo ex-namorado, Geovane Souza dos Santos, de 21 anos, no município de Capixaba, interior do Acre. O crime ocorreu no dia 25 de março, quando o suspeito, que não aceitava o fim do relacionamento, tentou degolar a vítima após ela recusar uma reconciliação.
O ataque brutal e a luta pela sobrevivência
A jovem contou que foi até a casa da ex-cunhada buscar alguns pertences quando foi surpreendida por Geovane. "Ele tentou uma reconciliação, falei que não tinha possibilidade e aí me pegou por trás com um mata-leão", relatou a vítima. O suspeito então desferiu um golpe de faca no pescoço da adolescente, causando um corte que exigiu 15 pontos e lesionou veias importantes.
Ela ainda descreveu os momentos de terror: "Quando ele viu que não tinha conseguido me matar foi pra cima de mim desferindo golpes para encerrar o que tinha começado". A vítima conseguiu se afastar enquanto seu atual namorado, que havia sido chamado por telefone, tentava impedir novos ataques.
Histórico de violência e ciúmes excessivos
O relacionamento entre a adolescente e Geovane durou 1 ano e 2 meses e foi marcado por agressões anteriores. "Teve algumas atitudes bem agressivas e decidi me afastar porque tinha medo de acontecer o que acabou acontecendo", explicou a jovem. Ela revelou que o ex-companheiro já havia empurrado seu rosto em uma ocasião anterior, deixando-o inchado.
A vítima lamentou não ter denunciado as agressões anteriores: "Não denunciei ele, mas a polícia falou que era pra eu ter denunciado". O término definitivo ocorreu devido ao comportamento ciumento e violento de Geovane.
Atendimento médico e prisão do suspeito
A adolescente foi levada pelo namorado para a Unidade Básica de Saúde (UBS) local, onde profissionais de saúde chamaram a Polícia Militar ao perceberem que o suspeito estava do lado de fora. Ela recebeu alta no dia 2 de abril, mas ainda precisa de acompanhamento médico e fonoaudiológico.
Geovane foi preso em flagrante e, na delegacia, tentou tirar a própria vida com um canivete dentro da cela, sendo socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) sem gravidade. O delegado Alzídio Neto, responsável pelas investigações, confirmou que vai concluir o inquérito e indiciar o suspeito por tentativa de feminicídio.
Versões contraditórias e impacto psicológico
Na delegacia, Geovane alegou que entrou em luta corporal com o atual namorado da ex e que a intenção era ferir o rapaz. Porém, tanto a polícia quanto a vítima não acreditam nessa versão. "Se ele tivesse em luta corporal, o golpe não teria pegado na região onde pegou", argumentou a adolescente.
A jovem ainda sofre com as consequências psicológicas do ataque: "Ainda tenho retorno médico e preciso fazer acompanhamento com o fonoaudiólogo. Comecei a conseguir dormir agora porque vinha tudo o que aconteceu comigo à cabeça". Por segurança, ela decidiu não retornar ao interior do estado: "Vou ficar por aqui para minha segurança. A família dele está bastante revoltada, então, optei por não ir para lá".
Canais de denúncia e apoio às vítimas
A Polícia Militar do Acre disponibiliza vários números para que vítimas de violência peçam ajuda:
- Polícia Militar - 190: quando a vítima está correndo risco imediato
- Samu - 192: para pedidos de socorro urgentes
- Secretaria de Estado da Mulher (Semulher): (68) 99930-0420
- Disque 100: recebe denúncias de violações de direitos humanos de forma anônima
- WhatsApp do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos: (61) 99656-5008
Profissionais de saúde também têm obrigação de fazer notificação compulsória em casos de suspeita de violência, encaminhando as informações aos conselhos tutelares e polícia.



