Tenente-coronel acusado de feminicídio alega dependência financeira da esposa para não separação
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, suspeito de assassinar a esposa Gisele Alves Santana com um tiro na cabeça, afirmou durante interrogatório na Polícia Civil de São Paulo que não se separava dela devido à sua dependência financeira. O crime ocorreu no dia 18 de fevereiro deste ano, e Neto foi preso preventivamente em 18 de março, mesma data em que a Justiça Militar de São Paulo aceitou a denúncia contra ele, colocando-o no banco dos réus.
Versão do acusado sobre as dívidas da vítima
Segundo o depoimento de Neto, Gisele teria contraído um empréstimo consignado para construir quartos na casa dos pais quando sua filha nasceu e, posteriormente, outras dívidas para custear cirurgias plásticas. Ele detalhou que ela realizou procedimentos como prótese de silicone, rinoplastia, bichectomia, aplicação de botox e preenchimento labial, gastando cerca de R$ 40.000. Com isso, sobravam menos de R$ 1.000 por mês para ela cobrir suas despesas, levando Neto a assumir o pagamento de todas as contas da casa e dela.
O tenente-coronel mencionou que chegou a procurar outra função para Gisele dentro da Polícia Militar para facilitar um divórcio, mas alegou que a situação financeira dela impedia a separação. Em seu relato, ele também destacou que passou por exames médicos que mostraram sua testosterona em 939, nível comparado ao de homens entre 16 e 21 anos, sugerindo que isso afetava seu comportamento.
Mensagens revelam exigência de submissão e conflitos
Antes da prisão, a polícia apreendeu o celular de Neto e encontrou mensagens trocadas com Gisele, nas quais ele exigia que ela se comportasse de forma "submissa" devido à sua posição de "provedor". Em uma das conversas, Gisele respondeu: "Se você acha que só contribuindo com o dinheiro já está fazendo sua parte, ótimo, mas pra mim não é assim que funciona". Ela ainda mencionou a possibilidade de separação, dizendo: "por mim separamos, não vou trocar sexo por moradia e ponto final".
Em outro episódio, Gisele relatou agressões, afirmando: "você não me respeita; não sabe conversar; ontem enfiou a mão na minha cara". Neto, por sua vez, disse à polícia que na véspera da morte eles conversaram sobre reatar o relacionamento e tiveram relação sexual consensual, algo que não acontecia há meses, apesar de dormirem em quartos separados.
Perícia refuta versão do acusado e defesa alega suicídio
A defesa de Neto sustenta sua inocência e propõe a tese de que Gisele teria cometido suicídio, mas essa possibilidade foi refutada pela perícia técnica. A reconstituição do crime indicou que a versão apresentada pelo tenente-coronel não teria viabilidade técnica, fortalecendo as acusações contra ele. O caso continua sob investigação, com Neto preso preventivamente desde 18 de março, enquanto as autoridades buscam esclarecer todos os detalhes deste trágico episódio de violência doméstica.



