Rio de Janeiro concede mais de 7,5 mil medidas protetivas a mulheres em apenas 66 dias
RJ concede 7,5 mil medidas protetivas a mulheres em 66 dias

Rio de Janeiro registra média alarmante de 116 medidas protetivas diárias para mulheres vítimas de violência

O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro concedeu impressionantes 7.556 medidas protetivas de urgência a mulheres vítimas de violência doméstica e familiar em um período de apenas 66 dias, entre 1° de janeiro e 6 de março de 2026. Este número representa uma média diária de aproximadamente 116 mulheres buscando proteção judicial contra agressores, revelando a dimensão crítica da violência de gênero no estado fluminense.

Dados detalhados dos plantões judiciários

De acordo com informações do Observatório Judicial da Violência contra a Mulher, o Plantão Judiciário Noturno, que atende demandas de todo o estado do Rio de Janeiro, registrou 2.357 novos casos relacionados à Lei Maria da Penha durante este mesmo período. Deste total, 2.002 foram pedidos específicos de medidas protetivas de urgência, demonstrando a gravidade imediata das situações enfrentadas pelas mulheres.

Paralelamente, o Plantão Judiciário Diurno, responsável pelo atendimento na capital fluminense, contabilizou 767 processos de violência doméstica, sendo que 450 destes envolveram solicitações de medidas protetivas. Estes números incluem decisões tomadas tanto nas varas especializadas quanto nos plantões judiciários, oferecendo uma visão abrangente da atuação do sistema de justiça frente à violência contra mulheres.

Análise especializada sobre as raízes do problema

A desembargadora Adriana Ramos de Mello, especialista no tema, destacou que a violência de gênero está intrinsecamente ligada a fatores estruturais da sociedade brasileira. "A violência contra a mulher e o feminicídio têm raízes sociais profundas e funcionam como uma mensagem às demais mulheres que confrontam a ideia de subordinação", afirmou a magistrada.

Esta análise ganha ainda mais relevância quando consideramos que metade dos feminicídios registrados no país ocorrem em cidades pequenas, evidenciando que o problema não se restringe aos grandes centros urbanos, mas permeia todo o tecido social brasileiro, independentemente do tamanho do município.

Contexto e importância das medidas protetivas

As medidas protetivas de urgência, previstas na Lei Maria da Penha, representam um instrumento fundamental de proteção às mulheres em situação de violência. Entre as principais determinações que podem ser estabelecidas por estas medidas estão:

  • Afastamento do agressor do lar da vítima
  • Proibição de aproximação ou contato com a mulher agredida
  • Suspensão de posse ou restrição de porte de armas
  • Prestação de alimentos provisionais

Os números apresentados pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro não apenas revelam a magnitude do problema da violência contra mulheres no estado, mas também demonstram a importância do sistema judiciário como porta de acesso à proteção e à justiça para milhares de mulheres que enfrentam situações de risco em seu cotidiano.