Professoras de creche no RS são presas por suspeita de sedar crianças para facilitar rotina
Professoras presas por suspeita de sedar crianças em creche do RS

Professoras de creche no RS são presas por suspeita de sedar crianças para facilitar rotina

Duas mulheres foram denunciadas pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) por suspeita de crimes de tortura contra 34 crianças em uma escola de educação infantil em Alvorada, na Região Metropolitana de Porto Alegre. De acordo com a denúncia apresentada nesta segunda-feira (30), as vítimas teriam sofrido violência física e psicológica utilizadas como forma de punição, além de terem sido submetidas à administração indevida de medicamentos com efeito sedativo.

Falhas nos cuidados básicos e ameaças

O Ministério Público também aponta falhas graves nos cuidados básicos oferecidos às crianças, incluindo questões relacionadas à alimentação e higiene. Uma das denunciadas responde ainda por ameaça contra um familiar de aluno, agravando ainda mais o quadro de violações.

Conforme as investigações, uma das mulheres atuava como professora de Educação Infantil, enquanto a outra era proprietária e gestora da escola. Segundo a Promotoria, as duas teriam se aproveitado da relação de autoridade e da responsabilidade de guarda para provocar sofrimento intenso nas crianças, com episódios que se repetiram ao longo de mais de um ano na creche Rafa Kids.

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Práticas de violência descritas pelo MP

Entre as práticas descritas pelo Ministério Público estão:

  • Agressões físicas contra as crianças
  • Ofensas verbais e humilhações constantes
  • Gritos frequentes dirigidos aos alunos
  • Aplicação de castigos inadequados
  • Confinamento de crianças entre dois e cinco anos em ambiente escuro

A denúncia aponta ainda condutas completamente incompatíveis com o dever de cuidado exigido na atividade educacional, caracterizando grave violação dos direitos das crianças.

Uso irregular de medicamentos sedativos

Um dos pontos mais graves da investigação envolve o uso irregular de remédios com efeito sedativo. Segundo o MP, os medicamentos eram administrados de forma repetida e sem indicação adequada, com o claro objetivo de facilitar a rotina dentro da escola.

As apurações indicam ainda que remédios levados por famílias para uso específico de alguns alunos, mediante prescrição médica, teriam sido desviados para outras crianças. Em troca de mensagens apreendidas, as suspeitas discutiam a possibilidade de aumentar a dose dos medicamentos usados nos alunos.

Descoberta do caso e prisões

O caso veio à tona em dezembro do ano passado, quando mães começaram a relatar comportamento estranho dos filhos e procuraram a Polícia Civil. As investigações se intensificaram e ambas as mulheres foram presas preventivamente no início deste mês.

Uma delas foi presa em Alvorada e a outra em Canoas. Depoimentos, imagens e documentos embasaram o pedido de prisão, incluindo as mensagens que discutiam o aumento de doses medicamentosas. O MP afirma ainda que as investigadas estariam influenciando testemunhas durante as apurações.

Creche interditada e defesa

A creche Rafa Kids foi fechada em dezembro e permanece com faixas de interdição fixadas na fachada. A Vigilância Sanitária conduziu o processo de fechamento do estabelecimento. Em 2024, o local já havia sido interditado e reaberto meses antes dos fatos agora investigados.

O g1 entrou em contato com a defesa da proprietária Rafaela Martins, que informou que "inexiste, até o presente momento, qualquer decisão definitiva, permanecendo íntegra a presunção de inocência". A reportagem não localizou a defesa da outra denunciada, cujo nome não foi divulgado pelas autoridades.

Em nota oficial, a defesa de Rafaela Alves Martins destacou que o inquérito policial foi concluído sem a oitiva da investigada, circunstância que será analisada no curso do processo. A assessoria jurídica afirmou ainda que não comentará o mérito fora dos autos, mantendo-se fiel aos procedimentos legais estabelecidos.

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