PRF mata comandante da Guarda de Vitória e se suicida após investigação por importunação sexual
O policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza, de 37 anos, assassinou a tiros a namorada Dayse Barbosa, também de 37 anos, comandante da Guarda Municipal de Vitória, e em seguida tirou a própria vida. O crime ocorreu na madrugada desta segunda-feira (23), na casa da vítima no bairro Caratoíra, em Vitória, Espírito Santo, e está sendo investigado como um feminicídio.
Investigado por importunação sexual
Diego respondia a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) na Polícia Rodoviária Federal (PRF) por importunação sexual contra uma ex-agente. O procedimento foi instaurado pela Corregedoria da PRF no Rio de Janeiro em 2025 e estava em fase final de conclusão, com expectativa de demissão do servidor. A PRF informou que adotou medidas para distanciar os agentes no ambiente de trabalho.
Oficialmente, ele era investigado por suposta incontinência pública e conduta escandalosa, conforme o Artigo 132 da Lei n° 8112/90. Diego foi admitido na corporação em 2020 e lotado na delegacia de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro.
Crime premeditado e violência de gênero
Segundo a delegada Raffaella Aguiar, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Mulher, Diego pode ter cometido o crime por não aceitar o fim do relacionamento. As investigações apontam que Dayse tentava romper com o PRF, descrito como "possessivo e extremamente controlador". A delegada destacou que a violência não é motivada por características da vítima, mas pelo fato de ela ser uma mulher, independentemente de sua posição ou força.
O secretário de Segurança Urbana de Vitória, Amarílio Boni, afirmou que há indícios de premeditação. Diego usou uma escada para invadir a casa e chegou até Dayse, que dormia no quarto da filha. Ele a atingiu com cinco tiros na cabeça, sem chance de reação. Em sua mochila, foram encontrados um canivete, uma faca, álcool, carregadores de munição, alicate e um isqueiro.
Pai da vítima relata momentos do crime
O pai de Dayse, Carlos Roberto Teixeira, estava em casa no momento do crime e acordou com o primeiro disparo. "Não deu tempo de nada, ele entrou atirando. No primeiro tiro eu já acordei. Abri a porta devagarzinho, olhei, vi ele correndo, mas não deu pra sair, fiquei com medo de tomar um tiro também", relatou. Carlos acredita que o crime foi motivado pela tentativa da filha de encerrar o relacionamento.
Apesar de relatos de que Diego já havia tentado enforcar Dayse, ela nunca denunciou as agressões à polícia ou aos colegas de trabalho. O caso é o primeiro feminicídio em Vitória após quase dois anos sem registros.
Investigações em andamento
Os celulares de Dayse e Diego serão encaminhados para análise pericial para esclarecer a motivação do crime. A Polícia Científica esteve no local para realizar perícias, e o caso está sob responsabilidade da Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Mulher de Vitória.
Em nota, a PRF manifestou pesar pelo falecimento de Dayse Barbosa e reiterou seu compromisso contra o feminicídio e a violência contra as mulheres. A instituição afirmou estar à disposição para colaborar com as investigações.



