Um homem de 43 anos foi detido em flagrante na tarde desta segunda-feira, 5 de fevereiro, no município de Santana, região metropolitana de Macapá, no Amapá. A prisão ocorreu após ele agredir fisicamente a própria esposa e a filha do casal, uma adolescente de 16 anos.
Duas décadas de violência silenciosa
De acordo com informações da Polícia Civil do Amapá, o relacionamento do casal era marcado por ciúmes excessivos e episódios frequentes de violência. Os abusos não se restringiam ao físico, incluindo também agressões de caráter moral e psicológico.
Um padrão preocupante foi identificado pelas autoridades: as crises de violência se intensificavam quando o suspeito consumia bebidas alcoólicas. As agressões ocorriam na presença dos filhos, configurando um ambiente familiar de constante terror.
O mais chocante, segundo os policiais, é que apesar dos relatos de violência ao longo de aproximadamente 20 anos, não havia registros formais de boletins de ocorrência. A situação permaneceu encoberta, sem a intervenção do Estado, até a denúncia que resultou na prisão.
O dia do crime e a prisão
O episódio que levou à detenção aconteceu por volta das 14 horas, na casa da família, localizada no bairro Fonte Nova, em Santana, cidade distante 17 quilômetros da capital Macapá.
A Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam) recebeu uma denúncia urgente informando que o homem estava "descontrolado, agressivo e ameaçava a companheira de morte". Agindo rapidamente, as equipes policiais se deslocaram até o local e conseguiram prender o indivíduo em flagrante delito.
A ação eficaz da Deam impediu que a violência escalasse para um desfecho ainda mais trágico, destacando a importância das delegacias especializadas no enfrentamento a esse tipo de crime.
Justiça será acionada
O agressor foi levado para a delegacia e, após os procedimentos cabíveis, permanece à disposição da Justiça. Ele deve passar em breve por uma audiência de custódia, onde um juiz decidirá sobre a medida cautelar a ser aplicada.
O caso, que veio à tona após duas décadas, expõe a realidade cruel de muitas famílias brasileiras, onde a violência doméstica é normalizada e silenciada pelo medo. A prisão em flagrante serve como um alerta de que denunciar é o primeiro passo para quebrar o ciclo de abusos e garantir a segurança das vítimas.
A polícia reforça o pedido para que outras vítimas em situação semelhante busquem ajuda através dos canais oficiais, como o disque-denúncia e as delegacias da mulher, garantindo o anonimato e a proteção necessários.