Tenente-coronel da PM preso por feminicídio: mensagens revelam humilhações à esposa
PM preso por feminicídio: mensagens mostram humilhações à esposa

Tenente-coronel da PM preso por feminicídio após mensagens revelarem humilhações à esposa

O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Neto foi preso nesta terça-feira, suspeito de feminicídio, violência doméstica e fraude processual, após a morte da soldado Gisele Alves, sua esposa, com um tiro na cabeça. Mensagens extraídas do celular do oficial revelam episódios graves de ofensas, humilhações e controle praticados contra a vítima.

Mensagens machistas e ameaças revelam padrão de violência

As investigações tiveram acesso a conversas onde Geraldo Neto enviava mensagens de teor machista para Gisele. "Lugar de mulher é em casa, cuidando do marido. E não na rua, caçando assunto. Rua é lugar de mulher solteira à procura de macho", disse uma das mensagens do tenente-coronel. Em resposta, Gisele pedia mudanças no comportamento do marido, descrevendo-o como "estúpido, ignorante, intolerante e sem escrúpulos".

Ela relatou ainda humilhações constantes: "Não dá para entender. Você pediu para eu não ir embora. Eu fico e você continua igual, até pior, com seu tratamento. Falando coisas para me humilhar, para me provocar". A vítima também mencionou ser chamada de "burra" e receber insinuações inadequadas sobre sua função na PM.

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Controle invasivo e agressão física antes do crime

O inquérito cita que Geraldo Neto fazia visitas ao local de trabalho da esposa sem atribuição oficial, aproveitando sua ascendência hierárquica. Colegas de Gisele descreveram o tenente-coronel como "ciumento, controlador e invasivo". A decisão judicial que determinou a prisão menciona ainda um episódio de agressão física ("enfiado a mão") dias antes do feminicídio, ocorrido em 18 de fevereiro de 2026.

Perícia descarta suicídio e detalha execução

A perícia concluiu que Gisele foi imobilizada por trás e baleada com uma pistola Glock calibre .40, pertencente ao próprio tenente-coronel. O agressor teria usado a mão esquerda para segurá-la enquanto direcionava a arma contra a têmpora direita da vítima. O laudo de reprodução simulada apontou a impossibilidade técnica de suicídio, com padrões de sangue incompatíveis com essa tese.

O Ministério Público se manifestou a favor da prisão, considerando fundamentos fáticos e requisitos legais. No entanto, o advogado de defesa, Eugênio Malavasi, alega ilegalidade na decisão, argumentando que a Justiça Militar não teria competência para medidas invasivas.

Caso foi inicialmente registrado como suicídio

Gisele Alves foi encontrada morta na sala da casa do casal, no Brás, região central de São Paulo. Inicialmente tratado como suicídio, o caso foi reclassificado para morte suspeita e depois para homicídio, culminando na prisão do tenente-coronel.

Serviços de denúncia e proteção

Em casos de violência, denúncias podem ser feitas:

  • Pelo telefone 180 (Central de Atendimento à Mulher), gratuito e 24 horas
  • Via WhatsApp (61) 99656-5008
  • Pelo Disque 100, para violações de direitos humanos

Vítimas podem solicitar medidas protetivas de urgência previstas na Lei Maria da Penha.

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