Pesquisa da UFS traça perfil socioeconômico de mulheres vítimas de violência em Sergipe
Perfil de mulheres vítimas de violência em Sergipe é revelado

Pesquisa da UFS revela perfil detalhado de mulheres vítimas de violência em Sergipe

Um estudo de pós-doutorado realizado pelo Departamento de Estatística da Universidade Federal de Sergipe (UFS) mapeou com precisão o perfil socioeconômico das mulheres que sofrem violência no estado. A pesquisa inovadora cruzou dados do Tribunal de Justiça de Sergipe, do programa CMais Mulher e do Cadastro Único do governo federal, criando um retrato abrangente dessa realidade preocupante.

Dados alarmantes sobre medidas protetivas

O pesquisador responsável, professor Kleber Oliveira, apresentou os resultados durante entrevista ao programa Bom Dia Sergipe nesta quarta-feira (25). Os números revelam que, entre 2022 e 2025, foram registrados impressionantes 17 mil processos de medidas protetivas em Sergipe. Desse total, 75% das vítimas estão inscritas no Cadastro Único, ferramenta que identifica famílias de baixa renda em todo o país.

"A violência contra a mulher é um fenômeno complexo, mas está relacionado diretamente com a desigualdade social e a pobreza. Atinge todas as classes sociais, mas entre as pessoas mais pobres, ela é mais severa", afirmou o pesquisador durante a entrevista.

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Características predominantes das vítimas

A análise demonstra que a violência atinge com maior intensidade mulheres em situação de vulnerabilidade social. Entre os principais indicadores identificados, destacam-se:

  • Raça: 80% das vítimas são pardas
  • Escolaridade: mais de 75% possuem apenas o ensino fundamental, completo ou incompleto
  • Renda e ocupação: entre 50% e 60% não possuem renda e estão desocupadas
  • Faixa etária: maior incidência ocorre entre mulheres de 30 a 39 anos
  • Maternidade: 23,1% têm três ou mais filhos; 32,1% têm dois filhos e 34,9% possuem um filho

Tipos de violência mais frequentes

A pesquisa também categorizou as formas de violência mais comumente registradas:

  1. Psicológica (35,40%): envolvendo ameaças, humilhações e controle emocional
  2. Física (30,40%): relacionada a agressões diretas ao corpo da vítima
  3. Moral (28,87%): inclui calúnia, difamação ou injúria
  4. Patrimonial (3,43%): retenção, subtração ou destruição de bens e recursos econômicos
  5. Sexual (1,90%): menos notificada, mas presente em diversas faixas etárias

Integração de dados como ferramenta de combate

De acordo com o professor Kleber Oliveira, a fragmentação de informações entre delegacias, tribunais e secretarias tem dificultado historicamente o combate eficaz ao problema. A integração com o CadÚnico permite visualizar detalhes cruciais como o tipo de moradia e acesso a serviços básicos das vítimas.

"Isso facilita a política pública porque os órgãos do governo estadual ou federal podem desenhar com mais precisão o tipo de política para atender especificamente cada mulher", explicou o pesquisador, destacando a importância dessa abordagem integrada para criar soluções mais eficientes e personalizadas.

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